CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Assinale a alternativa correta com relação à seleção habitual de uma córnea que será ofertada para transplante penetrante em paciente que apresenta síndrome de Sjögren.
Transplante de córnea de rotina → Não se realiza tipagem HLA ou ABO/Rh.
Devido ao privilégio imune da câmara anterior, o transplante de córnea em leitos não vascularizados dispensa a compatibilidade tecidual rotineira.
O transplante de córnea é o transplante de tecidos mais realizado no mundo e possui características imunológicas únicas. O conceito de privilégio imune permite que a maioria das ceratoplastias seja realizada com sucesso sem a necessidade de testes de histocompatibilidade complexos. No contexto da Síndrome de Sjögren, a indicação de transplante penetrante deve ser cautelosa. A deficiência severa de filme lacrimal predispõe a complicações pós-operatórias graves. A seleção da córnea doadora foca na qualidade do endotélio e na integridade do tecido, e não em marcadores genéticos, mantendo a prática padrão de não realizar estudos de compatibilidade ABO ou HLA rotineiros.
A córnea é um tecido avascular e a câmara anterior possui um fenômeno chamado ACAID (Anterior Chamber Associated Immune Deviation), que confere privilégio imune. Em olhos com leitos receptores 'calmos' e sem vascularização, a taxa de sucesso é altíssima sem necessidade de pareamento. O custo e a logística para pareamento HLA não justificam o benefício marginal na maioria dos transplantes primários.
O pareamento HLA pode ser benéfico em casos de 'alto risco', definidos principalmente por leitos corneanos densamente vascularizados (mais de 2 quadrantes) ou em pacientes com múltiplos episódios de rejeição prévia. Nestes cenários, a quebra do privilégio imune aumenta a chance de reconhecimento antigênico e falência do enxerto.
Pacientes com Sjögren apresentam olho seco grave, o que compromete a superfície ocular e a cicatrização do epitélio do doador. O risco nesses pacientes não é primariamente imunológico (rejeição mediada por HLA), mas sim de falência epitelial, afinamento estromal e perfuração. O manejo agressivo da superfície ocular é mais crítico para o sucesso do que a compatibilidade sanguínea.
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