CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Com relação à técnica operatória do transplante penetrante de córnea, é correto afirmar:
Transplante de córnea pediátrico → preferência por pontos interrompidos devido ao rápido turnover cicatricial.
Em crianças, a cicatrização acelerada e a necessidade de ajustes seletivos de astigmatismo tornam os pontos interrompidos superiores à sutura contínua.
O transplante penetrante de córnea (PKP) é uma cirurgia complexa que substitui todas as camadas da córnea. A precisão na trepanação é crucial para o sucesso óptico, sendo a face endotelial do doador a referência para o corte. A escolha da sutura (contínua vs. interrompida) depende da patologia de base, da idade do paciente e da experiência do cirurgião. Em casos combinados com catarata (procedimento Triple), o cálculo da lente intraocular é um desafio, pois a ceratometria final será determinada pela córnea transplantada, não pela original. A estabilidade estrutural durante o procedimento, garantida por anéis de suporte escleral, é fundamental para evitar complicações graves como a hemorragia expulsiva.
Crianças apresentam uma resposta inflamatória e cicatricial muito mais intensa e rápida que adultos. Suturas contínuas em pacientes pediátricos podem afrouxar rapidamente ou causar vascularização excessiva de forma generalizada. Pontos interrompidos permitem que o cirurgião remova apenas as suturas que estão causando irritação ou que já cumpriram seu papel, além de facilitar o manejo do astigmatismo pós-operatório em um olho em crescimento.
O anel de Flieringa é um dispositivo de fixação escleral utilizado para prevenir o colapso do globo ocular durante cirurgias de 'céu aberto', como o transplante penetrante de córnea. Ele é especialmente indicado em pacientes afácicos, crianças (esclera mais complacente) ou casos de alta miopia, onde a baixa rigidez escleral favorece a extrusão de conteúdo intraocular após a trepanação.
Geralmente, o botão doador é trepanado com um diâmetro 0,25 mm a 0,50 mm maior do que o leito receptor. Essa prática visa facilitar a coaptação das bordas, reduzir a tensão na sutura e diminuir o risco de aplainamento excessivo da córnea, o que poderia levar ao fechamento do ângulo iridocorneano e glaucoma pós-operatório.
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