Transplante Penetrante de Córnea: Técnica e Particularidades

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Com relação à técnica operatória do transplante penetrante de córnea, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O uso do anel escleral de fixação (como o anel de Flieringa) deve ser evitado no transplante de pacientes afácicos.
  2. B) A utilização de sutura contínua para a adesão da córnea transplantada ao leito deve ser evitada no caso de transplantes pediátricos, dando-se preferência à realização de pontos interrompidos.
  3. C) De modo geral, para perfeita coaptação e alinhamento entre as bordas, a córnea do paciente que receberá o transplante deverá ser trepanada pela face epitelial com diâmetro 0,25mm a 0,50mm maior do que o diâmetro da trepanação feita pela face endotelial na córnea que será implantada.
  4. D) Nas cirurgias combinadas (transplante e catarata), geralmente o cálculo biométrico é baseado na ceratometria central da córnea que será implantada.

Pérola Clínica

Transplante de córnea pediátrico → preferência por pontos interrompidos devido ao rápido turnover cicatricial.

Resumo-Chave

Em crianças, a cicatrização acelerada e a necessidade de ajustes seletivos de astigmatismo tornam os pontos interrompidos superiores à sutura contínua.

Contexto Educacional

O transplante penetrante de córnea (PKP) é uma cirurgia complexa que substitui todas as camadas da córnea. A precisão na trepanação é crucial para o sucesso óptico, sendo a face endotelial do doador a referência para o corte. A escolha da sutura (contínua vs. interrompida) depende da patologia de base, da idade do paciente e da experiência do cirurgião. Em casos combinados com catarata (procedimento Triple), o cálculo da lente intraocular é um desafio, pois a ceratometria final será determinada pela córnea transplantada, não pela original. A estabilidade estrutural durante o procedimento, garantida por anéis de suporte escleral, é fundamental para evitar complicações graves como a hemorragia expulsiva.

Perguntas Frequentes

Por que usar pontos interrompidos em transplantes pediátricos?

Crianças apresentam uma resposta inflamatória e cicatricial muito mais intensa e rápida que adultos. Suturas contínuas em pacientes pediátricos podem afrouxar rapidamente ou causar vascularização excessiva de forma generalizada. Pontos interrompidos permitem que o cirurgião remova apenas as suturas que estão causando irritação ou que já cumpriram seu papel, além de facilitar o manejo do astigmatismo pós-operatório em um olho em crescimento.

Qual a utilidade do anel de Flieringa?

O anel de Flieringa é um dispositivo de fixação escleral utilizado para prevenir o colapso do globo ocular durante cirurgias de 'céu aberto', como o transplante penetrante de córnea. Ele é especialmente indicado em pacientes afácicos, crianças (esclera mais complacente) ou casos de alta miopia, onde a baixa rigidez escleral favorece a extrusão de conteúdo intraocular após a trepanação.

Como é definido o diâmetro da trepanação no transplante?

Geralmente, o botão doador é trepanado com um diâmetro 0,25 mm a 0,50 mm maior do que o leito receptor. Essa prática visa facilitar a coaptação das bordas, reduzir a tensão na sutura e diminuir o risco de aplainamento excessivo da córnea, o que poderia levar ao fechamento do ângulo iridocorneano e glaucoma pós-operatório.

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