CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
As fotos 1 e 2 demonstram duas doenças distintas. Sobre elas é correto afirmar:
O prognóstico do transplante de córnea é superior em doenças ectásicas (ceratocone) comparado a anomalias congênitas.
O sucesso da ceratoplastia penetrante depende da etiologia; condições como ceratocone têm baixa imunogenicidade e melhor sobrevida do enxerto que malformações congênitas.
O transplante de córnea penetrante (ceratoplastia) consiste na substituição de toda a espessura da córnea hospedeira por tecido doador. A seleção de pacientes é crítica: enquanto o ceratocone apresenta taxas de sucesso superiores a 90%, transplantes realizados por opacidades congênitas ou queimaduras químicas têm prognóstico reservado. A Foto 1 ilustra uma patologia congênita (como Peters), onde a cirurgia é complexa e o risco de falência do enxerto é alto. A Foto 2 ilustra uma ectasia (como ceratocone), onde a arquitetura ocular está preservada, facilitando a integração do enxerto. O manejo pós-operatório exige vigilância rigorosa para sinais de rejeição, como o depósito de precipitados ceráticos no endotélio (linha de Khodadoust).
A Anomalia de Peters (representada na Foto 1) envolve opacidade corneana central congênita, frequentemente associada a aderências iridocorneanas ou cristalino-corneanas. Em crianças, o transplante de córnea enfrenta desafios como a resposta inflamatória intensa, maior taxa de vascularização do enxerto, dificuldade no seguimento pós-operatório e alto risco de glaucoma secundário e ambliopia profunda, o que reduz drasticamente o prognóstico visual.
O ceratocone (representado na Foto 2) é considerado uma indicação 'nobre' para transplante de córnea. Por ser uma doença não inflamatória e geralmente sem vascularização corneana, o risco de rejeição imunológica é significativamente menor do que em outras patologias. Além disso, o potencial visual da retina costuma ser normal, permitindo excelente recuperação da acuidade visual após a correção do astigmatismo pós-operatório.
Em crianças, o processo de cicatrização é muito mais rápido do que em adultos. Por isso, as suturas em transplantes penetrantes pediátricos geralmente precisam ser removidas muito mais cedo (muitas vezes entre 4 a 8 semanas) para evitar a vascularização do enxerto e o acúmulo de debris que predispõem à infecção e rejeição, ao contrário das 16 semanas ou mais sugeridas para adultos.
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