CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Assinale a alternativa correta com relação ao transplante penetrante de córnea realizado em crianças de dois anos de idade.
Crianças → cicatrização acelerada e alto risco de rejeição; remover suturas precocemente.
Em crianças pequenas, o metabolismo acelerado resulta em cicatrização rápida, exigindo a remoção precoce das suturas (semanas, não meses) para evitar vascularização e falência do enxerto.
O transplante de córnea em crianças (ceratoplastia penetrante pediátrica) é considerado um procedimento de alto risco. As indicações comuns incluem anomalia de Peters, esclerocórnea e opacidades congênitas. A fisiologia ocular infantil dita regras diferentes daquelas aplicadas aos adultos: a cicatrização é acelerada, a resposta inflamatória é exacerbada e o risco de complicações como glaucoma e endoftalmite é elevado. A decisão de remover as suturas precocemente é baseada na observação de que a interface entre o doador e o receptor se estabiliza muito mais rápido. Manter suturas além do necessário em um olho pediátrico é um convite à vascularização, que rompe o privilégio imunológico da córnea e leva à rejeição. O sucesso do transplante depende não apenas da técnica cirúrgica, mas de uma reabilitação visual agressiva para tratar a ambliopia sensorial que invariavelmente acompanha essas crianças.
Diferente dos adultos, onde as suturas de um transplante de córnea podem permanecer por um ano ou mais, em crianças de dois anos a cicatrização é extremamente rápida devido ao alto turnover metabólico e atividade fibroblástica. Se as suturas permanecerem por muito tempo, elas tendem a afrouxar rapidamente, acumulando muco e detritos, o que predispõe à neovascularização corneana e infecções. Além disso, suturas frouxas são um forte gatilho para a rejeição imunológica. Portanto, a remoção costuma ocorrer entre 4 a 8 semanas após a cirurgia.
O risco de rejeição em crianças é significativamente maior do que em adultos. Isso ocorre porque o sistema imunológico infantil é muito mais ativo e a superfície ocular em crianças pequenas é frequentemente mais inflamada. Além disso, o acompanhamento pós-operatório é desafiador, dificultando a detecção precoce de sinais de rejeição (como o sinal de Khodadoust). A taxa de falência do enxerto por rejeição imunológica é uma das principais preocupações na ceratoplastia pediátrica, exigindo vigilância rigorosa e uso intensivo de corticoides tópicos.
Além da cicatrização rápida, a cirurgia em crianças enfrenta desafios como a baixa rigidez escleral, que pode levar ao colapso do segmento anterior durante a abertura da córnea (pressão vítrea positiva). O diâmetro do enxerto também deve ser cuidadosamente planejado; enxertos muito grandes (acima de 8.5mm) aumentam o risco de sinéquias anteriores e glaucoma secundário. O manejo do cristalino e a prevenção da ambliopia no pós-operatório são componentes críticos para o sucesso visual a longo prazo.
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