CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2023
O esquema abaixo representa dois instrumentos utilizados na cirurgia de transplante de córnea e detalhes das suas extremidades. Com relação a eles, é correto afirmar:
Transplante lamelar posterior: Instrumento 1 (espátula/dissecador) atua na córnea receptora.
Nas técnicas de transplante lamelar posterior (como DSAEK), instrumentos de dissecção manual são utilizados para preparar o leito receptor, removendo o endotélio doente, enquanto o tecido doador é frequentemente preparado de forma automatizada.
A evolução dos transplantes de córnea migrou da ceratoplastia penetrante (espessura total) para as técnicas lamelares, que substituem apenas as camadas doentes. O transplante lamelar posterior (DSAEK/DMEK) é indicado para falências endoteliais, como na Distrofia de Fuchs. Nestas cirurgias, a instrumentação é altamente especializada. O cirurgião utiliza espátulas e ganchos para realizar o 'stripping' da Descemet do receptor através de pequenas incisões limbares. A precisão no preparo do leito receptor é crucial para a aderência do enxerto e para a qualidade visual final. O uso de instrumentos manuais no receptor permite um controle tátil necessário para remover o tecido doente sem perfurar a córnea. Já o tecido doador, por ser extremamente frágil, é manipulado com técnicas que minimizam o trauma mecânico, preferindo-se métodos automatizados ou pré-preparados por bancos de olhos, o que justifica a afirmação de que certos instrumentos de dissecção são restritos ao uso na córnea do paciente.
No transplante lamelar posterior, como o DSAEK (Descemet Stripping Automated Endothelial Keratoplasty), o instrumento 1 (geralmente uma espátula de dissecção ou 'stripper') é utilizado para realizar o descolamento e a remoção da membrana de Descemet e do endotélio doente da córnea do paciente receptor. Este processo cria um leito liso para a recepção do disco doador. Diferente do preparo do doador, que hoje é majoritariamente automatizado para garantir uniformidade, a etapa no receptor ainda exige manuseio manual delicado.
No DSAEK, o termo 'Automated' refere-se ao uso de um microcerátomo para realizar o corte lamelar na córnea doadora, separando o estroma posterior junto com a Descemet e o endotélio. Isso garante uma lamela doadora com espessura mais previsível e superfície mais regular do que a dissecção manual. Portanto, instrumentos manuais de dissecção como espátulas são menos relevantes no preparo do doador nessa técnica específica, sendo focados na manipulação do receptor.
Na técnica DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty), cânulas específicas são frequentemente utilizadas para a técnica da 'Big Bubble'. Elas são inseridas no estroma profundo para injetar ar e separar o estroma da membrana de Descemet. Embora a figura 2 possa representar uma cânula, sua função específica varia conforme o design; no entanto, a questão enfatiza que instrumentos de dissecção lamelar posterior são focados no receptor para evitar danos ao tecido doador que será implantado.
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