Instrumentação em Transplante de Córnea Lamelar Posterior

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2023

Enunciado

O esquema abaixo representa dois instrumentos utilizados na cirurgia de transplante de córnea e detalhes das suas extremidades. Com relação a eles, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O instrumento 1 teve seu uso abandonado na técnica do transplante lamelar posterior automatizado (DSAEK).
  2. B) A cânula representada na figura 2 tem formato específico para injeção de ar e pressurização da câmara anterior ao final da cirurgia DALK (transplante anterior lamelar profundo).
  3. C) No transplante lamelar posterior, o instrumento 1 é utilizado apenas na córnea do paciente receptor e não no preparo da córnea que foi doada.
  4. D) A cânula representada na figura 2 é utilizada para separar o endotélio da Descemet no transplante de córnea lamelar posterior.

Pérola Clínica

Transplante lamelar posterior: Instrumento 1 (espátula/dissecador) atua na córnea receptora.

Resumo-Chave

Nas técnicas de transplante lamelar posterior (como DSAEK), instrumentos de dissecção manual são utilizados para preparar o leito receptor, removendo o endotélio doente, enquanto o tecido doador é frequentemente preparado de forma automatizada.

Contexto Educacional

A evolução dos transplantes de córnea migrou da ceratoplastia penetrante (espessura total) para as técnicas lamelares, que substituem apenas as camadas doentes. O transplante lamelar posterior (DSAEK/DMEK) é indicado para falências endoteliais, como na Distrofia de Fuchs. Nestas cirurgias, a instrumentação é altamente especializada. O cirurgião utiliza espátulas e ganchos para realizar o 'stripping' da Descemet do receptor através de pequenas incisões limbares. A precisão no preparo do leito receptor é crucial para a aderência do enxerto e para a qualidade visual final. O uso de instrumentos manuais no receptor permite um controle tátil necessário para remover o tecido doente sem perfurar a córnea. Já o tecido doador, por ser extremamente frágil, é manipulado com técnicas que minimizam o trauma mecânico, preferindo-se métodos automatizados ou pré-preparados por bancos de olhos, o que justifica a afirmação de que certos instrumentos de dissecção são restritos ao uso na córnea do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a função do instrumento 1 (espátula) no transplante lamelar posterior?

No transplante lamelar posterior, como o DSAEK (Descemet Stripping Automated Endothelial Keratoplasty), o instrumento 1 (geralmente uma espátula de dissecção ou 'stripper') é utilizado para realizar o descolamento e a remoção da membrana de Descemet e do endotélio doente da córnea do paciente receptor. Este processo cria um leito liso para a recepção do disco doador. Diferente do preparo do doador, que hoje é majoritariamente automatizado para garantir uniformidade, a etapa no receptor ainda exige manuseio manual delicado.

Como o preparo da córnea doadora difere no DSAEK?

No DSAEK, o termo 'Automated' refere-se ao uso de um microcerátomo para realizar o corte lamelar na córnea doadora, separando o estroma posterior junto com a Descemet e o endotélio. Isso garante uma lamela doadora com espessura mais previsível e superfície mais regular do que a dissecção manual. Portanto, instrumentos manuais de dissecção como espátulas são menos relevantes no preparo do doador nessa técnica específica, sendo focados na manipulação do receptor.

O que caracteriza a cânula na técnica DALK?

Na técnica DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty), cânulas específicas são frequentemente utilizadas para a técnica da 'Big Bubble'. Elas são inseridas no estroma profundo para injetar ar e separar o estroma da membrana de Descemet. Embora a figura 2 possa representar uma cânula, sua função específica varia conforme o design; no entanto, a questão enfatiza que instrumentos de dissecção lamelar posterior são focados no receptor para evitar danos ao tecido doador que será implantado.

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