CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Considerando os transplantes de córnea realizados com finalidade óptica, qual a associação mais adequada? I. Distrofia de Fuchs. II. Distrofia granular. III. Opacidade após hidrópsia. IV. Ceratopatia bolhosa A - Indicação para realização de transplante lamelar posterior. B - Contraindicação para a realização de transplante lamelar anterior profundo. C - contraindicação para realização de transplante lamelar anterior superficial. D - Indicação para realização de transplante lamelar anterior profundo.
Fuchs/Bolhosa → Transplante Posterior (Endotelial); Granular/Estroma → Transplante Anterior (DALK).
A cirurgia lamelar moderna visa substituir apenas a camada doente da córnea: DALK para o estroma anterior e DMEK/DSAEK para o endotélio posterior.
A oftalmologia migrou do transplante penetrante (espessura total) para as técnicas lamelares devido à menor taxa de rejeição e melhor sobrevivência do enxerto a longo prazo. O segredo do sucesso é o diagnóstico preciso da camada corneana acometida. Na Distrofia de Fuchs, o problema é a bomba endotelial; logo, um transplante anterior não resolveria o edema. Já na distrofia granular, o depósito é estromal, tornando o DALK a escolha ideal para preservar o endotélio sadio do próprio paciente e evitar a rejeição endotelial, que é a forma mais grave de rejeição.
O DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty) é o transplante lamelar anterior profundo. Ele substitui o epitélio e o estroma, preservando o endotélio do paciente. É indicado para doenças que afetam o estroma mas mantêm o endotélio saudável, como o ceratocone, distrofias estromais (ex: granular) e cicatrizes corneanas que não atingem a camada de Descemet.
Os transplantes posteriores (DSAEK ou DMEK) são indicados para falências endoteliais. As principais causas são a Distrofia Endotelial de Fuchs e a Ceratopatia Bolhosa do Pseudofácico. Nessas técnicas, apenas o endotélio e a membrana de Descemet são substituídos, o que permite uma recuperação visual muito mais rápida e menor risco de rejeição que o transplante penetrante.
A hidrópsia ocorre devido a uma ruptura na membrana de Descemet, geralmente em pacientes com ceratocone avançado. Como o DALK exige uma membrana de Descemet íntegra para a dissecção e suporte da nova córnea, a presença de cicatrizes ou roturas prévias nessa camada torna a técnica lamelar anterior extremamente difícil ou impossível, sendo muitas vezes necessário o transplante penetrante.
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