Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2025
Assinale a alternativa que não apresenta situação que caracteriza alto risco de transmissão vertical do HIV:
Alto risco para transmissão vertical do HIV = Carga viral detectável/desconhecida perto do parto, diagnóstico tardio na gestação ou soroconversão aguda.
O principal fator de risco para a transmissão vertical do HIV é a carga viral materna elevada no periparto. Situações como diagnóstico tardio, carga viral desconhecida ou soroconversão aguda caracterizam alto risco e exigem profilaxia antirretroviral combinada para a mãe e o recém-nascido, além da indicação de cesariana eletiva.
A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um dos grandes sucessos da medicina moderna, com taxas de transmissão reduzidas de 25-30% para menos de 1% com as intervenções adequadas. A estratégia se baseia em três pilares: uso de terapia antirretroviral (TARV) pela gestante, manejo obstétrico adequado (via de parto) e cuidados com o recém-nascido, incluindo profilaxia com antirretrovirais e contraindicação do aleitamento materno. O principal determinante do risco de TV é a carga viral materna próxima ao parto. Por isso, situações que levam a uma carga viral detectável ou desconhecida são consideradas de alto risco. Isso inclui o diagnóstico tardio da infecção (início da TARV após a segunda metade da gestação), a não adesão ao tratamento, a falha virológica e a soroconversão aguda durante a gestação ou lactação, momento em que a viremia é extremamente elevada. Uma gestante com teste rápido positivo no parto ou com carga viral desconhecida no terceiro trimestre são cenários clássicos de alto risco, que demandam medidas profiláticas agressivas. A alternativa que não se enquadra diretamente como uma situação que *caracteriza* alto risco é a de uma mãe que abandonou o tratamento de uma gestação anterior. Embora a não adesão seja um problema, o risco real dependerá da sua carga viral atual, que pode ser baixa. Comparativamente, as outras situações implicam uma alta probabilidade de viremia elevada no momento mais crítico para a transmissão.
A cesariana eletiva é indicada para gestantes com carga viral desconhecida ou detectável (geralmente > 1.000 cópias/mL) após 34 semanas de gestação. Ela deve ser realizada com bolsa íntegra, idealmente na 38ª semana, para reduzir o contato do feto com as secreções maternas.
Esta é uma situação de altíssimo risco, pois pode representar uma infecção aguda com alta viremia. A conduta inclui iniciar imediatamente a zidovudina (AZT) intravenosa para a mãe, realizar cesariana eletiva e iniciar a profilaxia com três drogas para o recém-nascido, além de contraindicar o aleitamento materno.
A terapia antirretroviral (TARV) atua suprimindo a replicação do HIV no organismo materno, o que reduz a carga viral no sangue e nas secreções genitais. Uma carga viral indetectável é o principal fator protetor contra a transmissão para o feto durante a gestação e o parto.
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