Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Gestante em uso de terapia para HIV, diagnosticado no início da gestação, é admitida em trabalho de parto, de termo. Em uso de terapia antirretroviral, que foi iniciada na segunda metade da gestação, mantendo Carga viral de 150 cópias. Quanto os cuidados recomendados ao recém-nascido, deve-se proceder ao clampeamento:
RN de mãe HIV com CV >50 cópias/mL ou TARV <2ª metade gestação → Clampeamento imediato, banho, profilaxia com 3 drogas (alto risco).
Em gestantes HIV positivas com carga viral >50 cópias/mL (ou >1000 cópias/mL, dependendo da diretriz, mas 150 cópias já indica risco) ou que iniciaram TARV tardiamente, o risco de transmissão vertical é considerado alto. Nesses casos, o clampeamento do cordão deve ser imediato, o banho é recomendado e a profilaxia do RN deve ser com esquema de 3 drogas.
A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um dos maiores sucessos da medicina moderna, com taxas de transmissão que podem ser reduzidas para menos de 1% com o manejo adequado. No entanto, a conduta no parto e com o recém-nascido (RN) varia significativamente dependendo do risco de TV, que é primariamente determinado pela carga viral (CV) materna no final da gestação e no momento do parto, além da adesão à terapia antirretroviral (TARV). No caso apresentado, a gestante iniciou a TARV na segunda metade da gestação e apresenta uma carga viral de 150 cópias/mL no trabalho de parto. Uma CV detectável (geralmente >50 cópias/mL, embora algumas diretrizes considerem >1000 cópias/mL como limiar para alto risco) e o início tardio da TARV classificam este cenário como de alto risco para transmissão vertical. Nesses casos, as recomendações são mais rigorosas para proteger o RN. As condutas para um RN de alto risco incluem o clampeamento imediato do cordão umbilical para minimizar a exposição ao sangue materno. O banho do RN com água corrente é recomendado para remover secreções potencialmente contaminadas. Mais importante, o esquema de profilaxia antirretroviral para o RN deve ser com três drogas (geralmente zidovudina, lamivudina e nevirapina ou raltegravir), iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida, e mantido por 4 a 6 semanas. A coleta de carga viral do RN é essencial para o diagnóstico precoce.
A carga viral materna no momento do parto é o principal fator preditor de transmissão vertical do HIV. Cargas virais indetectáveis (geralmente <50 cópias/mL) permitem condutas menos agressivas, enquanto cargas virais detectáveis (como 150 cópias/mL) indicam alto risco e exigem profilaxia mais intensiva para o recém-nascido.
O clampeamento imediato do cordão umbilical é recomendado em situações de alto risco de transmissão vertical do HIV para minimizar a exposição do recém-nascido ao sangue materno e às secreções cervicovaginais, reduzindo a chance de infecção.
O esquema de profilaxia com três drogas é indicado para recém-nascidos de mães com alto risco de transmissão vertical, como aquelas com carga viral detectável (>50 ou >1000 cópias/mL, dependendo da diretriz) no terceiro trimestre ou no parto, ou que iniciaram a terapia antirretroviral tardiamente na gestação.
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