Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015
Uma paciente de trinta anos de idade, com gestação tópica e única de trinta e oito semanas, procurou atendimento médico para realizar consulta pré-natal. Durante a anamnese, a gestante relatou que até a trigésima semana de gestação não havia iniciado acompanhamento médico ou nutricional. Informou, ainda, que fora submetida, havia dois anos, à cirurgia bariátrica sem intercorrências. Ao analisar os resultados dos exames realizados nas primeiras consultas pré-natais, o médico constatou que a gestante fora diagnosticada como soropositiva para o HIV. Os últimos exames complementares realizados revelaram carga viral de 2.500 cópias/ml e contagem seriada de linfócitos T CD4+ acima de 600 células/mm³. A paciente apresentou, também, resultado de colpocitologia oncótica compatível com ASC-H (atipia de significado indeterminado de células escamosas), além de possível lesão intraepitelial de alto grau. Com base no caso clínico acima apresentado, assinale a alternativa incorreta.
Via de parto HIV: Carga viral > 1000 cópias/mL (34 sem) → Cesariana. AZT é pilar da profilaxia vertical, mas não a única droga.
A profilaxia da transmissão vertical do HIV é complexa e envolve terapia antirretroviral combinada para a mãe, além de AZT intraparto e para o RN. A via de parto é determinada pela carga viral na 34ª semana. A imunidade (CD4) é importante, mas não o principal determinante da via de parto.
O manejo da gestante soropositiva para o HIV é um desafio complexo que exige uma abordagem multidisciplinar para minimizar o risco de transmissão vertical (TV) do vírus. A profilaxia da TV é um pilar fundamental e envolve a terapia antirretroviral (TARV) combinada para a mãe durante a gestação, a escolha da via de parto e a profilaxia para o recém-nascido. A carga viral é o principal determinante da via de parto: se > 1000 cópias/mL na 34ª semana, a cesariana eletiva é indicada; se < 1000 cópias/mL, a via de parto é obstétrica (vaginal), com indicação de AZT intravenoso durante o trabalho de parto. A zidovudina (AZT) é um dos antirretrovirais mais importantes na profilaxia da TV, sendo utilizada na TARV materna, administrada intravenosamente durante o parto (se indicada) e oralmente ao recém-nascido. No entanto, a profilaxia da TV não se resume apenas ao AZT; ela é parte de um esquema terapêutico combinado que visa suprimir a carga viral materna ao máximo. A contagem de linfócitos T CD4+ é um indicador da imunidade materna, mas não o principal fator para a escolha da via de parto. Além do HIV, outras condições como a cirurgia bariátrica prévia e achados de colpocitologia anormal (ASC-H) adicionam complexidade ao pré-natal. Pacientes bariátricas têm maior risco de deficiências nutricionais, como anemia macrocítica por deficiência de B12 ou folato. O ASC-H em gestantes exige colposcopia e biópsia para excluir lesão de alto grau, com tratamento geralmente postergado para o pós-parto, a menos que haja suspeita de invasão. A abordagem integrada e individualizada é crucial para garantir a saúde da mãe e do bebê.
Em gestantes com ASC-H, o próximo passo propedêutico é a colposcopia com biópsia dirigida. O tratamento de lesões de alto grau é geralmente adiado para o pós-parto, a menos que haja suspeita de câncer invasivo.
A zidovudina é um componente fundamental da profilaxia da transmissão vertical, sendo administrada à gestante durante o parto (se carga viral alta ou desconhecida) e ao recém-nascido por 4 a 6 semanas, complementando a terapia antirretroviral materna combinada.
A cirurgia bariátrica aumenta o risco de deficiências nutricionais (ferro, B12, folato, cálcio, vitaminas lipossolúveis), que podem levar a anemias (macrocítica ou microcítica) e outras complicações. É essencial monitorar esses nutrientes e suplementar adequadamente durante o pré-natal.
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