Manejo do Recém-Nascido Exposto ao HIV: Protocolo Atualizado

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Paciente gestante de 35 anos, com 39 semanas, cesárea eletiva. Gestação sem intercorrências. Tem sorologia HIV positiva, com diagnóstico há 4 anos, em seguimento adequado. Carga viral negativa. Fez uso de AZT (zidovudina) oral a partir da 14ª quarta semana de gestação. O bebê nasce em boas condições, é colocado em berço aquecido, secado, aspirado suavemente as vias aéreas e levado ao banho com água e sabão. Em relação ao recém-nascido, quais são as condutas e orientações a seguir mais adequadas?

Alternativas

  1. A) AZT endovenoso 1 dose de 2 mg/Kg no recém-nascido na sala de parto após 8 horas iniciar a medicação AZT de 6/6 horas por 6 semanas. Não amamentar ao seio materno. Colher sorologias toxoplasmose, rubéola, hepatite C e B, citomegalovírus, herpes simples, hemograma e provas de função hepática com 42 dias de vida.
  2. B) AZT endovenoso 1 dose de 2mg/Kg na sala de parto. Colher sorologia HIV, toxoplasmose, rubéola, hepatite C e B, citomegalovírus, herpes simples, hemograma de sangue periférico e aguardar resultados para conduta. Não amamentar ao seio materno e prescrever fórmula infantil.
  3. C) Não amamentar ao seio materno, prescrever fórmula infantil, prescrever AZT oral de 6 em 6 horas por 6 semanas, iniciar de preferência nas primeiras 2 horas de nascimento. Colher hemograma, provas de função hepática e sorologias toxoplasmose, rubéola, hepatite C e B, citomegalovírus, herpes simples e sífilis.
  4. D) Liberar seio materno na primeira hora de vida. Iniciar AZT oral após 48 horas de vida, devido carga viral materna negativa. Colher sorologias HIV, toxoplasmose, rubéola, hepatite C e B, citomegalovírus, herpes simples e hemograma de sangue periférico. Aguardar resultado para conduta.

Pérola Clínica

HIV+ → Contraindica amamentação + AZT oral nas primeiras 4h (manter 4 sem) + fórmula infantil.

Resumo-Chave

A profilaxia da transmissão vertical no RN depende da carga viral materna; mesmo com CV indetectável, o AZT é obrigatório e a amamentação é contraindicada no Brasil.

Contexto Educacional

A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um pilar da obstetrícia e pediatria moderna. O sucesso depende da identificação precoce da gestante, uso de TARV materna e manejo adequado do parto e do RN. No cenário de carga viral indetectável, o risco de TV é inferior a 1%, mas as medidas profiláticas neonatais permanecem essenciais para garantir esse desfecho. O acompanhamento laboratorial visa não apenas o diagnóstico precoce de uma possível infecção, mas também o monitoramento de efeitos colaterais das medicações profiláticas, como a anemia induzida pela zidovudina.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar o AZT no recém-nascido exposto ao HIV?

O AZT (zidovudina) deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida, sendo o limite máximo de 48 horas após o nascimento. A duração padrão é de 4 semanas para recém-nascidos de baixo risco (mães com carga viral indetectável no último trimestre e boa adesão ao tratamento). Em casos de alto risco, o esquema pode ser ampliado com a adição de nevirapina.

A mãe com carga viral indetectável pode amamentar?

No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é a contraindicação absoluta do aleitamento materno para mulheres vivendo com HIV, independentemente da carga viral ou do uso de terapia antirretroviral (TARV). O risco de transmissão pelo leite materno persiste, e a rede pública deve fornecer fórmula infantil até pelo menos os 6 meses de idade.

Quais exames solicitar no primeiro atendimento do RN exposto?

Além do hemograma para monitorar toxicidade medular pelo AZT, devem ser solicitadas sorologias para triagem de outras infecções de transmissão vertical, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, hepatites B e C. A carga viral do HIV (PCR DNA/RNA) deve ser coletada conforme o cronograma (geralmente aos 15-30 dias e aos 4 meses).

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