UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Paciente gestante de 35 anos, com 39 semanas, cesárea eletiva. Gestação sem intercorrências. Tem sorologia HIV positiva, com diagnóstico há 4 anos, em seguimento adequado. Carga viral negativa. Fez uso de AZT (zidovudina) oral a partir da 14ª quarta semana de gestação. O bebê nasce em boas condições, é colocado em berço aquecido, secado, aspirado suavemente as vias aéreas e levado ao banho com água e sabão. Em relação ao recém-nascido, quais são as condutas e orientações a seguir mais adequadas?
HIV+ → Contraindica amamentação + AZT oral nas primeiras 4h (manter 4 sem) + fórmula infantil.
A profilaxia da transmissão vertical no RN depende da carga viral materna; mesmo com CV indetectável, o AZT é obrigatório e a amamentação é contraindicada no Brasil.
A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um pilar da obstetrícia e pediatria moderna. O sucesso depende da identificação precoce da gestante, uso de TARV materna e manejo adequado do parto e do RN. No cenário de carga viral indetectável, o risco de TV é inferior a 1%, mas as medidas profiláticas neonatais permanecem essenciais para garantir esse desfecho. O acompanhamento laboratorial visa não apenas o diagnóstico precoce de uma possível infecção, mas também o monitoramento de efeitos colaterais das medicações profiláticas, como a anemia induzida pela zidovudina.
O AZT (zidovudina) deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 4 horas de vida, sendo o limite máximo de 48 horas após o nascimento. A duração padrão é de 4 semanas para recém-nascidos de baixo risco (mães com carga viral indetectável no último trimestre e boa adesão ao tratamento). Em casos de alto risco, o esquema pode ser ampliado com a adição de nevirapina.
No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é a contraindicação absoluta do aleitamento materno para mulheres vivendo com HIV, independentemente da carga viral ou do uso de terapia antirretroviral (TARV). O risco de transmissão pelo leite materno persiste, e a rede pública deve fornecer fórmula infantil até pelo menos os 6 meses de idade.
Além do hemograma para monitorar toxicidade medular pelo AZT, devem ser solicitadas sorologias para triagem de outras infecções de transmissão vertical, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, hepatites B e C. A carga viral do HIV (PCR DNA/RNA) deve ser coletada conforme o cronograma (geralmente aos 15-30 dias e aos 4 meses).
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