Transmissão Vertical HIV: Manejo em Mãe HIV Negativa

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Gestante de 26 anos, trazida ao Centro Obstétrico em franco trabalho de parto, deu luz a um neonato a termo do sexo feminino, com peso de nascimento de 2.830 g. As sorologias do pré-natal e da admissão à maternidade (teste rápido para sífilis, HIV, hepatite B e toxoplasmose IgM e IgG) eram negativas. A paciente informou à equipe médica que seu marido, com diagnóstico de infecção por HIV há 2 anos, submetia-se a tratamento regular com TARV e que eles mantinham relações sexuais com uso de PrEP (profilaxia pré-exposição). Ao serem analisados os documentos trazidos pelo marido, constatou-se que o resultado do exame de carga viral, em amostra coletada há 35 dias, evidenciava 250 cópias/mm³. Com base no quadro, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Por ser a mãe HIV negativa, não há risco de transmissão vertical, podendo-se liberar o aleitamento materno sem necessidade de medicações ou coleta laboratorial para a recém-nascida (RN).
  2. B) Apesar de a mãe ser HIV negativa, há risco de transmissão vertical, devendo-se contraindicar o aleitamento materno de forma definitiva e solicitar anti-HIV para a RN.
  3. C) Apesar de a mãe ser HIV negativa, há risco de transmissão vertical, devendo-se contraindicar o aleitamento materno temporariamente, prescrever zidovudina e solicitar exame de carga viral para a RN.
  4. D) Apesar de a mãe ser HIV negativa, há risco de transmissão vertical, devendo-se contraindicar o aleitamento materno temporariamente, prescrever zidovudina, lamivudina e raltegravir para a RN e solicitar exame de carga viral para a mãe e para a RN.

Pérola Clínica

Mãe HIV negativa com parceiro HIV+ e CV detectável → RN exposto → PrEP neonatal completa + contraindicar aleitamento.

Resumo-Chave

Mesmo com a mãe HIV negativa, a exposição ao sêmen do parceiro com carga viral detectável (mesmo em uso de PrEP) configura risco de transmissão vertical. A profilaxia neonatal deve ser completa (esquema de 3 drogas) e o aleitamento materno contraindicado temporariamente até exclusão da infecção.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV é um tema crítico na obstetrícia e pediatria, mesmo em cenários complexos como o de casais sorodiscordantes. A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma ferramenta eficaz para reduzir o risco de infecção em indivíduos HIV negativos, mas não elimina completamente o risco de transmissão vertical se houver exposição e o parceiro soropositivo apresentar carga viral detectável. É fundamental que a equipe médica esteja atenta a esses detalhes para garantir a saúde do neonato. A conduta diante de um neonato exposto ao HIV, mesmo que a mãe seja soronegativa, depende da carga viral do parceiro soropositivo. Se a carga viral for detectável, o risco de transmissão vertical existe e exige uma abordagem agressiva. A profilaxia pós-exposição neonatal deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas de vida, e o aleitamento materno deve ser contraindicado para evitar a transmissão pós-natal. O esquema de profilaxia neonatal varia de acordo com o risco. Em casos de alto risco, como o descrito na questão (parceiro com carga viral detectável), recomenda-se um esquema de três drogas (zidovudina, lamivudina e raltegravir) por 28 dias. A monitorização do neonato com exames de carga viral é essencial para confirmar ou excluir a infecção. A educação dos pais sobre os riscos e a importância da adesão à profilaxia é crucial para o sucesso da intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para transmissão vertical do HIV mesmo com mãe HIV negativa?

O principal fator de risco é a exposição ao HIV do parceiro soropositivo com carga viral detectável, seja durante a gestação ou no parto, mesmo que a mãe esteja em PrEP e seja soronegativa.

Qual a profilaxia pós-exposição recomendada para o recém-nascido neste cenário?

A profilaxia deve ser completa, com esquema de três drogas (zidovudina, lamivudina e raltegravir) por 28 dias, devido ao risco de exposição intraparto ou intraútero.

O aleitamento materno é permitido para o recém-nascido de mãe HIV negativa com parceiro HIV positivo?

Não, o aleitamento materno é contraindicado temporariamente até que a infecção pelo HIV seja excluída no recém-nascido, devido ao risco de transmissão pós-natal pelo leite materno.

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