HIV na Gestação: Conduta para o Recém-Nascido

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Gestante, 30 anos de idade, G3P2(1N1C)A0, dá entrada em maternidade do Hospital Universitário, já em pródromos de trabalho de parto. Trata-se de gestação com 38 semanas e 3 dias, pré-natal realizado com 7 consultas e sem intercorrências obstétricas. A paciente possui diagnóstico de HIV desde o terceiro trimestre da segunda gestação e seu filho do meio recebeu a confirmação da transmissão vertical do HIV nos primeiros meses de vida. Desde que descobriu a terceira gestação, fez todo o possível para evitar que seu caçula recebesse o mesmo diagnóstico do irmão. Faz uso de TARV regularmente desde o diagnóstico e apresenta carga viral indetectável sustentada há 1 ano, sendo o último exame realizado há cerca de 3 semanas. A equipe de obstetrícia optou pela evolução do parto normal e após 4 horas de trabalho de parto nasceu uma criança do sexo masculino. É realizado o clampleamento imediato do cordão umbilical e a criança é entregue para os devidos cuidados à equipe assistente. Recém-nascido apresenta choro vigoroso, tônus flexor e frequência cardíaca maior do que 100bpm, não sendo indicadas manobras de reanimação neonatal. É realizado o banho em água corrente para a limpeza de secreções e a criança é colocada em contato pele a pele com a mãe e ambos são liberados para a rotina do alojamento conjunto. Para esse RN, qual a conduta correta a ser instituída?

Alternativas

  1. A) Aleitamento permitido em livre demanda e quimioprofilaxia AZT via oral por 28 dias. 
  2. B) Aleitamento contraindicado e quimioprofilaxia AZT, 3TC e RAL por 28 dias. 
  3. C) Aleitamento permitido em livre demanda e quimioprofilaxia AZT, 3TC e RAL via oral por 28 dias.
  4. D) Aleitamento contraindicado e quimioprofilaxia AZT via oral por 28 dias. 

Pérola Clínica

Mãe HIV+ (CV indetectável) + Parto vaginal → RN: Aleitamento contraindicado, AZT oral por 28 dias.

Resumo-Chave

No Brasil, o aleitamento materno é contraindicado para mães HIV positivas, mesmo com carga viral indetectável, devido ao risco residual de transmissão vertical. A quimioprofilaxia para o recém-nascido de mãe com carga viral indetectável e parto vaginal consiste em AZT oral por 28 dias.

Contexto Educacional

A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um dos maiores sucessos da medicina moderna, com taxas de transmissão reduzidas drasticamente através de intervenções eficazes. No contexto da gestação, o manejo da mulher HIV positiva e de seu recém-nascido é crucial para garantir a saúde de ambos. A terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação é a principal estratégia para reduzir a carga viral materna e, consequentemente, o risco de TV. Para recém-nascidos de mães HIV positivas, a conduta pós-parto é multifacetada. A quimioprofilaxia neonatal com antirretrovirais é fundamental e sua intensidade depende da carga viral materna e do tipo de parto. Em casos de mãe com carga viral indetectável e parto vaginal, a profilaxia padrão é o AZT oral por 28 dias. Se a carga viral for detectável ou o parto for cesariana de emergência, um regime mais intensivo pode ser indicado. Um ponto crítico e de grande impacto na prevenção da TV no Brasil é a contraindicação do aleitamento materno para todas as mães HIV positivas, independentemente da carga viral. Essa medida é adotada devido ao risco residual de transmissão pelo leite materno e à disponibilidade de fórmulas infantis gratuitas. O recém-nascido deve ser acompanhado com exames para diagnóstico precoce do HIV, como o PCR para DNA do HIV, e receber todas as vacinas conforme o calendário, com atenção especial àquelas de vírus vivos atenuados em caso de infecção confirmada.

Perguntas Frequentes

Por que o aleitamento materno é contraindicado para mães HIV positivas no Brasil?

No Brasil, o aleitamento materno é contraindicado para mães HIV positivas devido ao risco de transmissão vertical do vírus através do leite materno, mesmo com carga viral indetectável. A disponibilidade de fórmulas infantis gratuitas permite essa recomendação para proteger o bebê.

Qual a quimioprofilaxia para o RN de mãe HIV positiva com carga viral indetectável?

Para recém-nascidos de mães HIV positivas com carga viral indetectável (abaixo de 50 cópias/mL) e que realizaram TARV adequada, a quimioprofilaxia recomendada é o AZT (zidovudina) via oral por 28 dias, iniciando nas primeiras 4 horas de vida.

A carga viral indetectável da mãe HIV positiva permite o parto vaginal?

Sim, se a carga viral da mãe for indetectável (abaixo de 50 cópias/mL) a partir da 34ª semana de gestação, o parto vaginal pode ser considerado. A cesariana eletiva é indicada quando a carga viral é detectável ou desconhecida, para reduzir o risco de transmissão vertical.

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