MedEvo Simulado — Prova 2026
Amanda, 29 anos, G2P1 (parto vaginal prévio), com 39 semanas de gestação, comparece ao centro obstétrico com queixa de contrações rítmicas e dolorosas há 4 horas. Ela é portadora do vírus HIV, diagnosticada na primeira consulta de pré-natal, e relata uso regular da terapia antirretroviral com esquema composto por Tenofovir, Lamivudina e Dolutegravir, apresentando boa adesão ao tratamento. Apresenta o resultado da carga viral coletada com 35 semanas de gestação, que evidenciou 420 cópias/mL. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com dinâmica uterina de 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos. Ao toque vaginal, o colo está centralizado, 80% esvaecido, com 4 cm de dilatação e apresentação cefálica em plano 0 de DeLee. As membranas ovulares estão íntegras. Diante desse cenário clínico, a conduta mais adequada em relação à via de parto e à profilaxia da transmissão vertical é:
CV < 1000 e detectável → Parto vaginal permitido + AZT venoso obrigatório.
A via de parto no HIV é ditada pela carga viral (CV) de 34-36 semanas; CV < 1000 permite via vaginal, mas apenas CV indetectável dispensa o AZT venoso.
O manejo da gestante vivendo com HIV foca na redução drástica da taxa de transmissão vertical. O principal determinante da via de parto e da necessidade de quimioprofilaxia intraparto é a carga viral (CV) aferida no terceiro trimestre. Amanda apresenta uma CV de 420 cópias/mL, o que a coloca na categoria de 'CV detectável, porém inferior a 1.000'. Nesta faixa, o risco de transmissão no parto vaginal é baixo o suficiente para permitir a via de parto conforme indicação obstétrica, desde que o AZT venoso seja administrado. Se a CV fosse indetetável, o benefício do AZT venoso seria marginal, sendo dispensado pelo protocolo atual. É fundamental lembrar que, independentemente da via, o clampeamento imediato do cordão e a inibição da lactação são condutas padrão no pós-parto imediato.
O parto vaginal é indicado quando a carga viral coletada a partir da 34ª semana de gestação é inferior a 1.000 cópias/mL e a paciente apresenta condições obstétricas favoráveis. Se a carga viral for desconhecida ou ≥ 1.000 cópias/mL, a via de escolha é a cesárea eletiva com 38 semanas.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde do Brasil, o AZT venoso pode ser dispensado apenas se a gestante estiver em uso regular de TARV e apresentar carga viral indetectável (geralmente < 50 cópias/mL) na amostra coletada após a 34ª semana.
O AZT venoso deve ser iniciado no início da fase ativa do trabalho de parto (ou 3 horas antes da cesárea eletiva) e mantido até o clampeamento do cordão umbilical. A dose é de 2 mg/kg na primeira hora, seguida de 1 mg/kg/h até o nascimento.
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