HIV na Gestação: Conduta no Parto e Prevenção da Transmissão

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 22 anos, primigesta de 38 semanas, nega patologias prévias contudo sem seguimento de pré-natal, dá entrada em maternidade em fase latente de trabalho de parto, com dinâmica de 3 contrações de 40 segundos, e colo com 3cm de dilatação. Realizados testes rápidos, que evidenciam HIV positivo. Qual das condutas abaixo está indicada no caso?

Alternativas

  1. A) Iniciar tenofovir, lamivudina e dolutegravir via oral, realizar parto vaginal com clampagem imediata de cordão.
  2. B) Iniciar tenofovir, lamivudina e dolutegravir via oral, realizar parto vaginal com clampagem imediata de cordão.
  3. C) Iniciar zidovudina IV e realizar parto cesárea com clampagem imediata de cordão.
  4. D) Iniciar zidovudina via oral e realizar parto vaginal, com clampagem de cordão após 2 minutos.
  5. E) Iniciar zidovudina IV e realizar parto vaginal, com clampagem imediata de cordão.

Pérola Clínica

Gestante HIV+ sem pré-natal/CV desconhecida → Zidovudina IV + Cesariana + Clampagem imediata.

Resumo-Chave

Em gestantes HIV positivas sem pré-natal ou com carga viral desconhecida/elevada, a cesariana eletiva, associada à zidovudina intravenosa intraparto e clampagem imediata do cordão, é a conduta de escolha para minimizar o risco de transmissão vertical do HIV.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV, da mãe para o filho, é a principal via de infecção pediátrica. A prevenção dessa transmissão é um pilar fundamental do cuidado pré-natal e intraparto em gestantes HIV positivas. A ausência de pré-natal adequado, como no caso apresentado, eleva significativamente o risco de transmissão, pois a carga viral materna é desconhecida e a terapia antirretroviral (TARV) pode não ter sido otimizada. A via de parto é determinada pela carga viral materna. Se a carga viral for desconhecida ou > 1000 cópias/mL próximo ao termo, a cesariana eletiva é a via de parto preferencial para reduzir o risco de transmissão. Durante o trabalho de parto ou antes da cesariana, a zidovudina (AZT) intravenosa é administrada à mãe para atingir níveis terapêuticos no feto. A clampagem imediata do cordão umbilical é recomendada para evitar a transfusão de sangue materno-placentário para o recém-nascido. Após o nascimento, o recém-nascido de mãe HIV positiva deve receber profilaxia antirretroviral, cuja duração e esquema dependem do risco de transmissão (baseado na carga viral materna e adesão à TARV). O aleitamento materno é contraindicado em países onde há acesso a fórmulas infantis seguras, devido ao risco de transmissão pelo leite. O acompanhamento rigoroso da díade mãe-bebê é essencial para o diagnóstico precoce e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a principal indicação para cesariana em gestantes HIV positivas?

A cesariana é indicada para gestantes HIV positivas com carga viral desconhecida, carga viral > 1000 cópias/mL próximo ao termo, ou naquelas que não fizeram uso adequado da terapia antirretroviral durante o pré-natal, visando reduzir a transmissão vertical.

Por que a zidovudina intravenosa é utilizada no intraparto para gestantes HIV positivas?

A zidovudina intravenosa é administrada durante o trabalho de parto ou antes da cesariana para atingir níveis séricos elevados no feto, proporcionando uma profilaxia pré-exposição e reduzindo o risco de transmissão vertical do HIV.

Qual a importância da clampagem imediata do cordão umbilical em recém-nascidos de mães HIV positivas?

A clampagem imediata do cordão umbilical é recomendada para minimizar a exposição do recém-nascido ao sangue materno residual na placenta e no cordão, que pode conter partículas virais do HIV, reduzindo assim o risco de transmissão.

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