UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Recém-nascido filho de mãe vivendo com HIV, considerado de alto risco para infecção vertical, recebe profilaxia ao nascimento com 3 drogas antirretrovirais. Aos 14 dias de vida, apresenta carga viral de 80 cópias/mL em teste de PCR quantitativo. Qual é a conduta mais adequada diante desse resultado?
Carga viral detectável em RN de alto risco exige confirmação imediata com nova amostra (DNA ou RNA).
Resultados de carga viral em recém-nascidos expostos ao HIV, especialmente valores baixos, requerem confirmação imediata para diferenciar infecção real de falso-positivo ou contaminação.
O manejo do recém-nascido exposto ao HIV é uma das áreas mais críticas da pediatria preventiva. Para crianças de alto risco, o protocolo brasileiro recomenda a profilaxia com três drogas (Zidovudina + Lamivudina + Nevirapina ou Raltegravir, dependendo da idade gestacional). O diagnóstico precoce é realizado através de testes moleculares (NAT), como o PCR para DNA ou RNA viral. Valores baixos de carga viral (como 80 cópias/mL) em recém-nascidos podem representar infecção verdadeira, mas também podem ser artefatos técnicos ou 'blips'. Por isso, a diretriz do Ministério da Saúde enfatiza a necessidade de uma coleta imediata para confirmação diagnóstica antes de rotular a criança como infectada e iniciar o tratamento antirretroviral por tempo indeterminado. A agilidade nesse processo é vital para o prognóstico neurológico e imunológico da criança.
É considerado alto risco o RN de mãe que: não realizou pré-natal, não usou TARV na gestação, tem carga viral desconhecida ou detectável (> 1.000 cópias) no terceiro trimestre/parto, ou que teve falha vacinal/má adesão documentada.
Se a primeira carga viral (geralmente feita ao nascimento ou com 14 dias) for detectável, deve-se coletar imediatamente uma segunda amostra para confirmação (DNA pró-viral ou nova carga viral RNA). Se a segunda amostra for detectável, o diagnóstico de infecção é confirmado e a TARV terapêutica deve ser iniciada.
Testes de anticorpos (ELISA/Anti-HIV) não servem para diagnóstico de infecção no recém-nascido porque os anticorpos maternos (IgG) atravessam a placenta e podem permanecer na circulação da criança por até 18 meses, gerando resultados falso-positivos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo