Profilaxia de Transmissão Vertical do HIV no Recém-Nascido

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Gestante, 28a, começou a realizar pré-natal em Unidade Básica de Saúde e, na segunda consulta, recebeu a notícia de que seu teste sorológico de triagem para infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) foi positivo. Utilizando-se o protocolo do Ministério da Saúde, o diagnóstico da gestante foi confirmado e foi iniciada terapia antirretroviral com Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir às 18 semanas de gestação, com boa adesão. Com 36 semanas de gestação, teste de PCR-RNA mostrou carga viral indetectável. A gestação progrediu sem intercorrências e, com 39 semanas de gestação, ocorreu o trabalho de parto e nascimento de um recém-nascido a termo, por parto normal, com peso de 3.480 g. qual a conduta correta em termos de profilaxia da transmissão vertical do HIV?

Alternativas

  1. A) Observação clínica do recém-nascido no berçário e encaminhamento para puericultura em serviço de referência após a alta, com contraindicação do aleitamento materno.
  2. B) Contraindicação do aleitamento materno e prescrição de profilaxia antirretroviral com Zidovudina + Lamivudina + Raltegravir por quatro semanas para o recém-nascido.
  3. C) Contraindicação do aleitamento materno e prescrição de profilaxia antirretroviral com Zidovudina + Lamivudina por quatro semanas para o recém-nascido.
  4. D) Contraindicação do aleitamento materno e prescrição de profilaxia antirretroviral com Zidovudina por quatro semanas para o recém-nascido.

Pérola Clínica

CV indetectável > 28 sem + boa adesão → RN baixo risco → AZT por 4 semanas.

Resumo-Chave

A profilaxia do RN exposto ao HIV é estratificada pelo risco: baixo risco (mãe em TARV com CV indetectável após 28 semanas) recebe apenas AZT por 28 dias.

Contexto Educacional

A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um dos pilares da obstetrícia e pediatria moderna. O sucesso da estratégia depende da identificação precoce da gestante soropositiva e da supressão viral sustentada. O protocolo brasileiro estratifica o recém-nascido em baixo ou alto risco com base na carga viral materna do terceiro trimestre. Para recém-nascidos de baixo risco (mãe com TARV e CV indetectável após 28 semanas), o uso de Zidovudina (AZT) por 28 dias é suficiente. Para alto risco, utiliza-se AZT + 3TC + RAL por 28 dias. A monitorização laboratorial do RN deve ser rigorosa, com a realização de testes moleculares (PCR-RNA) para diagnóstico precoce, já que a sorologia convencional não é útil devido à passagem transplacentária de anticorpos maternos que podem persistir por até 18 meses.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de profilaxia com AZT isolado para o recém-nascido?

A profilaxia com Zidovudina (AZT) isolada por 4 semanas (28 dias) está indicada para recém-nascidos de baixo risco de transmissão vertical. São considerados baixo risco aqueles cujas mães utilizaram terapia antirretroviral (TARV) de forma adequada durante a gestação e apresentam carga viral (CV-HIV) indetectável (menor que 50 cópias/ml) documentada a partir da 28ª semana de gestação. Essa conduta visa minimizar a toxicidade medicamentosa no neonato enquanto mantém a eficácia preventiva em um cenário de risco extremamente reduzido. É fundamental que a adesão materna seja confirmada pela equipe assistente para garantir a segurança dessa escolha terapêutica isolada.

Quando o recém-nascido deve receber profilaxia com esquema tríplice?

O esquema tríplice (AZT + Lamivudina + Raltegravir) é indicado para recém-nascidos de alto risco. Isso inclui situações onde a mãe não realizou pré-natal, não utilizou TARV, iniciou o tratamento tardiamente, ou apresenta carga viral detectável (ou desconhecida) no terceiro trimestre ou no momento do parto. O objetivo é oferecer uma barreira mais robusta contra a replicação viral em cenários onde a exposição ao vírus foi significativa. O Raltegravir é preferido em relação à Nevirapina em muitos protocolos atuais devido ao seu perfil de segurança e eficácia superior na redução rápida da carga viral, devendo ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 4 horas de vida.

O aleitamento materno é permitido em mães HIV positivo com carga viral indetectável?

No Brasil, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, o aleitamento materno é contraindicado para mulheres vivendo com HIV, independentemente do valor da carga viral plasmática. Embora o risco de transmissão via leite materno seja drasticamente reduzido com a carga viral indetectável (conceito I=I), o risco não é zero e existem alternativas seguras como o uso de fórmulas infantis fornecidas pelo Estado. Além da amamentação, a amamentação cruzada (ama de leite) e o uso de leite humano sem pasteurização também são proibidos. A mãe tem direito ao inibidor de lactação (Cabergolina) e ao fornecimento de fórmula láctea para o lactente até pelo menos os 6 meses de idade.

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