HIV na Gestação: Manejo Materno e Neonatal Essencial

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Gestante de 21 anos, primigesta, teve a primeira consulta de pré-Natal no primeiro trimestre de gestação e apresentou teste rápido para HIV positivo. Foi encaminhada para acompanhamento no SAE e manteve o pré-natal na UBS. Apresentou a primeira carga viral HIV 25.000 cópias, CD4 520 células. Iniciou tratamento com TDF + 3TC + DTG após 20 semanas de gestação. Não tinha outras ISTs ou comorbidades. Com 35 semanas de idade gestacional realizou nova Carga viral que estava em 1000 cópias.O Bebê nasceu com 39 semanas de gestação, parto cesárea, peso de nascimento 3500g Estatura 49cm PC 35 cm, apgar 9/10. Com relação a classificação materna e as medidas a serem tomadas com relação ao recém-nascido na maternidade, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Gestante de alto risco. Coletar Carga viral do RN, iniciar profilaxia com AZT + 3TC + Raltegravir e não amamentar.
  2. B) Gestante de baixo risco. Coletar Carga viral do RN, iniciar profilaxia com AZT e não amamentar.
  3. C) Gestante de alto risco. Coletar Carga viral do RN, iniciar profilaxia com AZT + Nevirapina e não amamentar.
  4. D) Gestante de baixo risco. Coletar Carga viral do RN, iniciar profilaxia com AZT e liberar amamentação.

Pérola Clínica

Gestante HIV com CV > 1000 cópias ou TARV incompleta → alto risco, cesárea, RN profilaxia combinada (AZT+3TC+Raltegravir) e não amamentar.

Resumo-Chave

A classificação de alto risco para gestantes HIV ocorre quando a carga viral está acima de 1000 cópias/mL no terceiro trimestre ou próximo ao parto, ou quando a TARV não foi iniciada precocemente. Nesses casos, a profilaxia do RN é intensificada, e a amamentação é contraindicada.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV é um desafio significativo na saúde pública, e o manejo adequado da gestante soropositiva é crucial para prevenir a infecção do recém-nascido. A classificação de risco da gestante baseia-se principalmente na carga viral materna e na adesão à terapia antirretroviral (TARV). Gestantes com carga viral acima de 1000 cópias/mL no terceiro trimestre ou que não tiveram TARV otimizada são consideradas de alto risco. O diagnóstico precoce do HIV na gestação e o início imediato da TARV são pilares para reduzir a carga viral materna e, consequentemente, o risco de transmissão. A escolha da via de parto (vaginal ou cesárea) também é influenciada pela carga viral. Em casos de alto risco, a cesárea eletiva é preferível. A fisiopatologia da transmissão envolve a passagem do vírus da mãe para o feto durante a gestação, parto ou amamentação. Para o recém-nascido de mãe com HIV, a profilaxia antirretroviral pós-exposição é fundamental. A escolha do esquema (AZT isolado ou combinado com outros fármacos como 3TC e Raltegravir) depende do risco de transmissão, que é determinado pela carga viral materna. A amamentação é formalmente contraindicada em todas as gestantes HIV positivas no Brasil, independentemente da carga viral, para eliminar essa via de transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais critérios classificam uma gestante HIV como alto risco?

Uma gestante HIV é classificada como alto risco se a carga viral for > 1000 cópias/mL no terceiro trimestre, se a TARV foi iniciada tardiamente ou se há falha terapêutica.

Qual a profilaxia antirretroviral para o recém-nascido de mãe com HIV e carga viral detectável?

Para RNs de mães com carga viral detectável (>1000 cópias/mL), a profilaxia inclui AZT, 3TC e Raltegravir, além da contraindicação à amamentação.

Por que a amamentação é contraindicada em mães com HIV?

A amamentação é contraindicada em mães com HIV devido ao risco de transmissão vertical do vírus através do leite materno, mesmo com carga viral indetectável.

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