Transmissão Vertical HIV: Profilaxia e Diagnóstico no RN

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido (RN) com 33 semanas de idade gestacional nasceu com peso de 2.000g de parto vaginal em via pública. O tempo de bolsa rota é desconhecido. A mãe possui diagnóstico de infecção pelo HIV há dois anos, entretanto, não faz acompanhamento e nega uso de terapia antirretroviral. Diante do alto risco de transmissão vertical, inicialmente, as condutas diagnóstica e preventiva recomendadas para essa criança, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) sorologia anti-HIV / zidovudina por quatro semanas
  2. B) CV-HIV ou DNA pró-viral / zidovudina por quatro semanas
  3. C) CV-HIV / zidovudina, lamivudina e raltegravir por quatro semanas
  4. D) sorologia anti-HIV ou DNA pró-viral / zidovudina e nevirapina por quatro semanas

Pérola Clínica

RN de mãe HIV sem TARV → Profilaxia combinada (ZDV + 3TC + RAL) e diagnóstico precoce com CV-HIV/DNA pró-viral.

Resumo-Chave

Em RN de mãe HIV sem acompanhamento pré-natal e sem TARV, o risco de transmissão vertical é altíssimo. A conduta inicial deve ser agressiva, com profilaxia antirretroviral combinada e diagnóstico precoce por métodos moleculares (CV-HIV ou DNA pró-viral), que detectam o vírus diretamente.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV, da mãe para o filho, é um desafio significativo na saúde pública, especialmente em situações onde a gestante não recebeu acompanhamento pré-natal adequado ou não aderiu à terapia antirretroviral (TARV). Nesses cenários de alto risco, a intervenção imediata no recém-nascido (RN) é crucial para minimizar as chances de infecção. A conduta deve ser agressiva, combinando diagnóstico precoce e profilaxia antirretroviral potente. O diagnóstico da infecção por HIV no RN exposto não pode ser feito por sorologia anti-HIV nos primeiros meses de vida, pois esta detecta anticorpos maternos que atravessam a placenta. Métodos moleculares, como a detecção de DNA pró-viral do HIV ou a quantificação da carga viral (CV-HIV), são os exames de escolha para o diagnóstico precoce, devendo ser realizados nas primeiras 48 horas de vida, com repetições em 1-2 meses e 4-6 meses. A profilaxia antirretroviral para o RN depende do risco de transmissão. Em casos de alto risco, como o da questão (mãe sem TARV), a recomendação é uma profilaxia combinada, que inclui zidovudina (ZDV) associada a outros dois antirretrovirais, como lamivudina (3TC) e raltegravir (RAL), por quatro semanas. Essa abordagem intensiva visa suprimir a replicação viral e prevenir a infecção estabelecida no RN, sendo fundamental para o prognóstico da criança.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre sorologia anti-HIV e CV-HIV/DNA pró-viral para diagnóstico em RN?

A sorologia anti-HIV em RN detecta anticorpos maternos que podem persistir por até 18 meses, não indicando infecção ativa do bebê. CV-HIV (Carga Viral) e DNA pró-viral detectam o material genético do vírus no RN, confirmando a infecção.

Por que a zidovudina é crucial na profilaxia da transmissão vertical do HIV?

A zidovudina (ZDV) é a base da profilaxia por sua capacidade de atravessar a placenta e inibir a transcriptase reversa do HIV, reduzindo a replicação viral no RN. Em casos de alto risco, é combinada com outros antirretrovirais.

Quando é indicada a terapia antirretroviral combinada para o RN exposto ao HIV?

A terapia combinada (geralmente ZDV + lamivudina + raltegravir ou nevirapina) é indicada para RN de alto risco de transmissão vertical, como aqueles nascidos de mães sem TARV durante a gestação ou com carga viral elevada no parto.

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