Manejo do Parto em Gestantes HIV Positivas: Carga Viral e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma gestante com 35 anos de idade, gesta: 4, para: 3, aborto: 0 (três partos vaginais anteriores), iniciou pré-natal com 11 semanas, ocasião em que realizou todos os exames recomendados e nenhuma anormalidade foi detectada. Com 35 semanas, realizou novos exames, sendo diagnosticado HIV, com carga virai de 2.000 cópias/mL. Nessa mesma idade gestacional, iniciou terapia antirretroviral.Nesse caso, a conduta a ser adotada para essa gestante é

Alternativas

  1. A) induzir o parto com misoprostol e/ou ocitocina na 38ª semana e realizar zidovudina endovenosa durante todo o procedimento.
  2. B) programar parto cesariana para a 38ª semana de gestação e iniciar zidovudina endovenosa pelo menos 3 horas antes do procedimento.
  3. C) realizar parto cesariana na 40ª semana e prescrever zidovudina injetável para ser administrada 1 hora antes do procedimento.
  4. D) aguardar início espontâneo do parto vaginal até 40 semanas e usar zidovudina endovenosa durante todo o período do trabalho de parto.

Pérola Clínica

Gestante HIV com CV ≥ 1.000 cópias/mL ou TARV inadequada → Cesariana eletiva + Zidovudina EV pré-parto.

Resumo-Chave

A principal estratégia para prevenir a transmissão vertical do HIV é a terapia antirretroviral durante a gestação. No entanto, se a carga viral estiver elevada (≥ 1.000 cópias/mL) ou a TARV tiver sido iniciada tardiamente, a cesariana eletiva, associada à zidovudina intravenosa, é a conduta de escolha para reduzir o risco de transmissão durante o parto.

Contexto Educacional

A prevenção da transmissão vertical (TV) do HIV é um dos pilares do cuidado pré-natal em gestantes soropositivas. A estratégia mais eficaz envolve a combinação de terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação, parto e puerpério, além da profilaxia para o recém-nascido. A escolha da via de parto é um componente crítico dessa estratégia, sendo determinada principalmente pela carga viral materna próxima ao termo. Gestantes com carga viral do HIV inferior a 1.000 cópias/mL (ou indetectável) a partir da 34ª semana de gestação, e que aderiram à TARV de forma adequada, podem ter parto vaginal, desde que não haja outras contraindicações obstétricas. Nesses casos, a zidovudina (AZT) intravenosa é administrada durante o trabalho de parto para reduzir ainda mais o risco de TV. No entanto, quando a carga viral é igual ou superior a 1.000 cópias/mL, ou quando a TARV foi iniciada tardiamente (após 34 semanas) ou houve falha terapêutica, a cesariana eletiva é a via de parto preferencial. A cesariana eletiva deve ser programada para a 38ª semana de gestação, antes do início do trabalho de parto e da ruptura das membranas, para minimizar a exposição do feto ao sangue e secreções maternas. A zidovudina intravenosa deve ser iniciada pelo menos 3 horas antes do procedimento. Para residentes, dominar esses protocolos é essencial para garantir a segurança da mãe e do bebê, reduzindo drasticamente as taxas de transmissão vertical do HIV.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da carga viral do HIV no manejo do parto?

A carga viral do HIV é o principal fator preditivo de transmissão vertical durante o parto. Cargas virais abaixo de 1.000 cópias/mL (ou indetectáveis) permitem considerar o parto vaginal, enquanto cargas virais iguais ou superiores a 1.000 cópias/mL indicam a necessidade de cesariana eletiva para reduzir o risco de transmissão.

Quando a zidovudina endovenosa é indicada no trabalho de parto de gestantes HIV positivas?

A zidovudina endovenosa é indicada para todas as gestantes HIV positivas durante o trabalho de parto ou antes da cesariana eletiva, independentemente da carga viral, como parte da profilaxia da transmissão vertical. Em casos de cesariana eletiva, deve ser iniciada pelo menos 3 horas antes do procedimento.

Quais são os critérios para indicação de cesariana eletiva em gestantes HIV positivas?

A cesariana eletiva é indicada para gestantes HIV positivas com carga viral igual ou superior a 1.000 cópias/mL a partir da 34ª semana de gestação, ou quando a TARV foi iniciada tardiamente (após 34 semanas) ou de forma inadequada, ou em casos de ruptura de membranas prolongada.

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