Hepatite B na Gravidez: Profilaxia da Transmissão Vertical

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 3G 1P normal anterior, 36 anos de idade, HBsAg positivo no início do prénatal, HBeAg positivo, carga viral não disponível. Sobre a profilaxia da transmissão vertical, além da vacina e imunoglobulina para o recém-nascido, indica-se:

Alternativas

  1. A) tenofovir no 30 trimestre até o parto, via de parto por indicação obstétrica, aleitamento liberado.
  2. B) interferon no 30 trimestre até o parto, via de parto por indicação obstétrica, aleitamento liberado.
  3. C) tenofovir no 30 trimestre até o parto, via de parto por indicação obstétrica, contraindicado aleitamento.
  4. D) interferon no 30 trimestre até o parto, cesariana, contraindicado aleitamento.

Pérola Clínica

Gestante HBsAg+ e HBeAg+ → Tenofovir no 3º trimestre + vacina/imunoglobulina para RN + aleitamento liberado.

Resumo-Chave

Em gestantes com Hepatite B crônica e alta replicabilidade viral (HBeAg positivo), a profilaxia da transmissão vertical inclui o uso de tenofovir no terceiro trimestre para reduzir a carga viral materna, além da imunoprofilaxia ativa e passiva do recém-nascido. O aleitamento materno é geralmente liberado.

Contexto Educacional

A Hepatite B na gravidez representa um desafio importante de saúde pública devido ao risco significativo de transmissão vertical (TV) para o recém-nascido, que pode levar à infecção crônica e suas complicações a longo prazo, como cirrose e carcinoma hepatocelular. A identificação de gestantes HBsAg positivas no pré-natal é crucial para implementar estratégias de prevenção eficazes. A presença do HBeAg positivo indica alta replicabilidade viral e um risco elevado de TV. A profilaxia da transmissão vertical da Hepatite B envolve uma abordagem combinada. Para o recém-nascido de mãe HBsAg positiva, é mandatória a administração da primeira dose da vacina contra Hepatite B e da imunoglobulina anti-Hepatite B (HBIG) nas primeiras 12 horas de vida. Além disso, em gestantes com alta carga viral (HBeAg positivo ou carga viral de HBV > 200.000 UI/mL), o tratamento antiviral materno com tenofovir é recomendado a partir do terceiro trimestre de gestação até o parto, visando reduzir a viremia materna e, consequentemente, o risco de TV. A via de parto não é um fator determinante na transmissão vertical da Hepatite B; portanto, a indicação da via de parto deve ser exclusivamente obstétrica. Um ponto importante a ser desmistificado é o aleitamento materno: após a imunoprofilaxia adequada do recém-nascido, o aleitamento é seguro e liberado, não havendo evidências de que aumente o risco de transmissão. A educação da gestante e da família sobre a doença e as medidas preventivas é fundamental para o sucesso da profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais medidas para prevenir a transmissão vertical da Hepatite B?

As principais medidas incluem a imunoprofilaxia do recém-nascido com a primeira dose da vacina contra Hepatite B e a imunoglobulina anti-Hepatite B (HBIG) nas primeiras 12 horas de vida. Em gestantes com alta carga viral (HBeAg positivo ou carga viral > 200.000 UI/mL), o tratamento antiviral materno com tenofovir no terceiro trimestre também é indicado.

Quando o tratamento antiviral materno é indicado na gravidez para Hepatite B?

O tratamento antiviral materno, geralmente com tenofovir, é indicado a partir do terceiro trimestre de gestação para gestantes HBsAg positivas que apresentam alta replicabilidade viral, como HBeAg positivo ou carga viral de HBV > 200.000 UI/mL. O objetivo é reduzir a carga viral materna e, consequentemente, o risco de transmissão para o recém-nascido.

O aleitamento materno é contraindicado em mães com Hepatite B?

Não, o aleitamento materno não é contraindicado em mães com Hepatite B, desde que o recém-nascido tenha recebido a imunoprofilaxia completa (vacina e imunoglobulina) nas primeiras 12 horas de vida. Não há evidências de que o aleitamento aumente o risco de transmissão vertical após a imunização adequada do bebê.

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