MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um casal jovem, composto por uma mulher de 26 anos e um homem de 28 anos, é encaminhado ao serviço de genética médica após o terceiro aborto espontâneo consecutivo, todos ocorridos no primeiro trimestre de gestação. O histórico familiar revela que o homem possui um sobrinho com Síndrome de Down, nascido de uma irmã de 22 anos. O cariótipo do homem é solicitado e revela o seguinte resultado: 45,XY,der(14;21)(q10;q10). Apesar de possuir 45 cromossomos, o paciente apresenta fenótipo completamente normal. Considerando a constituição citogenética do progenitor e o histórico de perdas gestacionais, qual é o mecanismo fisiopatológico que explica a recorrência dos abortos nesse casal?
Em casos de aborto de repetição ou Síndrome de Down em mães jovens, o cariótipo dos pais é obrigatório para descartar translocações equilibradas, que possuem alto risco de recorrência.
A translocação Robertsoniana ocorre pela fusão de dois cromossomos acrocêntricos (13, 14, 15, 21 ou 22) nos centrômeros. Embora o portador tenha 45 cromossomos e seja fenotipicamente normal (pois o material genético está equilibrado), a formação de gametas é problemática. Durante a meiose, os cromossomos podem segregar de forma a gerar gametas com trissomia ou monossomia parcial. Clinicamente, isso se manifesta como infertilidade, abortos espontâneos de repetição ou nascimento de crianças com síndromes cromossômicas, como a Síndrome de Down (trissomia do 21). O caso clássico envolve a translocação entre os cromossomos 14 e 21. O aconselhamento genético é fundamental para esses casais, avaliando as opções reprodutivas e o risco de recorrência em futuras gestações. O diagnóstico é realizado via cariótipo de banda G. É importante diferenciar a trissomia livre (causada por não disjunção meiótica aleatória, geralmente associada à idade materna avançada) da trissomia por translocação, que tem caráter familiar e independe da idade da mãe.
Na equilibrada, todo o material genético está presente, mas em posições diferentes; o indivíduo é saudável. Na desequilibrada, há excesso ou falta de material genético, causando síndromes ou abortos.
Porque eles são acrocêntricos, possuindo braços curtos muito pequenos que contêm apenas genes repetitivos para RNAr, permitindo a fusão dos braços longos sem perda de informação vital.
Teoricamente é de 33%, mas na prática clínica o risco observado é menor (cerca de 10-15% se a mãe for portadora e 1-3% se o pai for portador), devido à seleção natural contra gametas e embriões desequilibrados.
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