MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 48 anos, Gesta 2 Para 2 (partos vaginais), procura atendimento ginecológico queixando-se de que seus ciclos menstruais, anteriormente regulares a cada 28 ou 30 dias, tornaram-se mais curtos no último ano, ocorrendo agora a cada 23 ou 24 dias. Além disso, refere episódios ocasionais de calor súbito no rosto e pescoço, acompanhados de sudorese, especialmente à noite, mas que não chegam a despertar a paciente. Nega outras comorbidades ou uso de medicações. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com mamas sem alterações e exame pélvico compatível com a idade. Traz exames laboratoriais realizados no terceiro dia do ciclo atual: Hormônio Folículo-Estimulante (FSH) de 22 mUI/mL, Hormônio Luteinizante (LH) de 12 mUI/mL e Estradiol de 160 pg/mL. Com base na fisiopatologia da transição menopausal e no quadro clínico apresentado, assinale a alternativa correta:
↓ Inibina B → ↑ FSH precoce → Fase folicular curta → Ciclos menstruais mais frequentes.
Na transição menopausal, a redução da reserva folicular diminui a Inibina B, elevando o FSH por feedback negativo, o que acelera o recrutamento folicular e encurta os ciclos.
A transição menopausal (climatério) é o período que antecede a última menstruação, caracterizado por variações hormonais e clínicas. Segundo os critérios de STRAW+10, a fase inicial é marcada por mudanças na duração do ciclo. Fisiopatologicamente, a redução do pool folicular leva à queda da Inibina B, permitindo a ascensão do FSH. Sintomas vasomotores (fogachos) podem surgir mesmo com níveis de estradiol ainda dentro da normalidade devido às flutuações hormonais bruscas que afetam o centro termorregulador hipotalâmico.
O encurtamento dos ciclos na transição menopausal precoce deve-se à redução da fase folicular. Com a diminuição da reserva ovariana, há queda nos níveis de Inibina B. Como a Inibina B exerce feedback negativo sobre o FSH, sua redução causa um aumento precoce do FSH no início do ciclo. Esse FSH elevado acelera o recrutamento e o desenvolvimento folicular, levando a uma ovulação mais precoce e, consequentemente, a um ciclo total mais curto (ex: 23-24 dias).
A Inibina B é um dos marcadores mais precoces da exaustão folicular, caindo antes mesmo de ocorrer uma redução sustentada do estradiol. Sua queda é a responsável direta pela elevação do FSH observada na fase de transição. Embora não seja rotineiramente dosada na prática clínica, sua redução explica a fisiopatologia das irregularidades menstruais iniciais, onde o FSH sobe para tentar manter a produção estrogênica pelos folículos restantes.
Este padrão é clássico da transição menopausal. O FSH aumenta em resposta à menor produção de inibinas. Esse FSH alto pode 'superestimular' os folículos remanescentes, resultando em níveis de estradiol que são normais ou paradoxalmente elevados (hiperestrogenismo relativo). Portanto, um estradiol normal não exclui a transição menopausal. O diagnóstico definitivo de menopausa é clínico (12 meses de amenorreia).
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