Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Clara, uma adolescente de 16 anos, comparece à unidade básica de saúde (UBS) em busca de atendimento médico. Na recepção, o atendente responsável pelo acolhimento verifica o endereço de Clara, confirma que ela reside na área de abrangência da UBS e a encaminha para a sala da equipe de saúde da família de sua área. Lá, ela é atendida por uma enfermeira da equipe, que, após coletar informações sobre a queixa e sua duração, bem como aferir os sinais vitais, reconhece sinais de gravidade. Diante disso, a enfermeira aloca a paciente em uma maca na sala de medicação e chama imediatamente o médico da equipe, que a atende prontamente. Clara relata que está sentindo dor na região hipogástrica e disúria há cerca de três dias, com uma piora gradual. Ela teve calafrios durante a última noite, mas não percebeu que poderia estar com febre. A paciente está mais preocupada com as dores e com um atraso menstrual. Ela não consegue fornecer a data da última menstruação, mas acredita que tenha ocorrido antes do nascimento de seu irmão, que hoje tem três meses. Ao realizar o exame físico, a equipe de saúde observa que Clara está sonolenta, febril, eupneica, sudoreica, com livedo e mal perfundida. Os pulsos estão simétricos, as bulhas cardíacas são normofonéticas, mas a paciente apresenta taquicardia e um sopro sistólico. O exame abdominal revela dor à palpação na região hipogástrica. Além disso, foram identificadas equimoses em diferentes estágios de evolução em seu tórax e abdome. Quando questionada sobre as lesões equimóticas, Clara começa a chorar e pede para não abordar mais o assunto.Tendo como base o caso acima, a política nacional de humanização, os atributos e funções da atenção primária e conhecimentos correlatos, julgue o item.Em relação à transição epidemiológica brasileira, o caso de Clara evidencia um dos componentes da chamada "tripla carga" de doenças, que são as doenças infecciosas. Os outros dois componentes são as causas externas e as doenças neoplásicas.
Tripla carga de doenças = infecciosas + crônicas não transmissíveis + causas externas.
A 'tripla carga' de doenças no Brasil é um conceito fundamental da transição epidemiológica, caracterizada pela coexistência de doenças infecciosas e parasitárias, doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e causas externas de morbimortalidade, como acidentes e violências. A alternativa da questão erra ao citar doenças neoplásicas como um dos três componentes principais, quando na verdade são as DCNTs.
A transição epidemiológica no Brasil é um fenômeno complexo que reflete mudanças nos padrões de morbidade e mortalidade da população ao longo do tempo. Caracteriza-se pela diminuição da mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e pelo aumento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e das causas externas, como acidentes e violências. Esse cenário resulta na chamada 'tripla carga' de doenças, onde esses três grupos coexistem e representam desafios significativos para a saúde pública. A 'tripla carga' de doenças é composta por: 1) Doenças infecciosas e parasitárias, que, embora em declínio, ainda representam um problema de saúde pública, especialmente em populações vulneráveis; 2) Doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças respiratórias crônicas, que são as principais causas de morbimortalidade; e 3) Causas externas, que incluem acidentes de trânsito, homicídios, suicídios e violências, com grande impacto na população jovem. Para a prática médica e a gestão em saúde, entender a tripla carga é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de atenção que sejam abrangentes e eficazes. Isso implica em fortalecer a vigilância epidemiológica, promover a prevenção de DCNTs, investir em educação para a saúde e implementar medidas de segurança e combate à violência, garantindo uma abordagem integral e equitativa da saúde da população.
Os três componentes da 'tripla carga' de doenças no Brasil são: doenças infecciosas e parasitárias, doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e causas externas de morbimortalidade, como acidentes e violências.
A transição epidemiológica no Brasil se manifesta pela coexistência e sobreposição de problemas de saúde de diferentes estágios, como a persistência de doenças infecciosas, o aumento das DCNTs e a alta prevalência de causas externas, gerando desafios complexos para o sistema de saúde.
A compreensão da tripla carga é crucial para a Atenção Primária à Saúde, pois permite o planejamento de ações integrais que abordem a prevenção e controle de infecções, o manejo de DCNTs e a identificação e intervenção em situações de violência, promovendo uma abordagem holística do paciente.
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