UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2019
A transição em saúde corresponde a diversas mudanças multifatoriais de vida, política, economia, demografia, tecnologia, questões sociais e culturais. No Brasil, transição epidemiológica, de acordo com Frenk (1991), seguiu o modelo de "polarização prolongada", que é caracterizada por:
Transição epidemiológica 'polarização prolongada' = ↑ DCNT + persistência de DIs, criando dupla carga de doenças.
O modelo de 'polarização prolongada' da transição epidemiológica no Brasil, proposto por Frenk, descreve a coexistência e superposição de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) com a persistência de doenças infecciosas (DIs), resultando em uma 'dupla carga de doenças' que desafia os sistemas de saúde.
A transição em saúde refere-se a um conjunto de mudanças multifatoriais que afetam os padrões de saúde e doença de uma população, influenciadas por fatores demográficos, sociais, econômicos e tecnológicos. No Brasil, a transição epidemiológica, conforme descrito por Frenk (1991), seguiu um modelo particular denominado 'polarização prolongada'. Este modelo é de extrema importância para a compreensão dos desafios da saúde pública brasileira, pois reflete a complexidade do perfil de morbimortalidade do país. A fisiopatologia social da polarização prolongada reside na coexistência de problemas de saúde típicos de países em desenvolvimento (como doenças infecciosas e parasitárias, e problemas relacionados à desnutrição) com problemas de saúde de países desenvolvidos (como doenças crônicas não transmissíveis, acidentes e violência). Em vez de uma substituição linear de um padrão por outro, observa-se uma superposição prolongada. Isso significa que, enquanto a prevalência de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares aumenta, as doenças infecciosas e parasitárias não são erradicadas ou controladas de forma eficaz em todas as regiões e grupos sociais, persistindo como causas significativas de morbimortalidade. O tratamento e as estratégias de saúde pública para lidar com a polarização prolongada exigem abordagens integradas e equitativas. É fundamental fortalecer a atenção primária à saúde, investir em saneamento básico e educação em saúde para controlar as doenças infecciosas, ao mesmo tempo em que se desenvolvem programas robustos para a prevenção e manejo das doenças crônicas. O prognóstico da saúde da população brasileira depende da capacidade do sistema de saúde de enfrentar essa dupla carga de doenças, garantindo acesso universal e de qualidade a serviços de saúde que contemplem as diversas necessidades da população em suas diferentes fases da transição.
O modelo de 'polarização prolongada' é caracterizado pela superposição de etapas da transição epidemiológica, onde há um aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) sem uma redução significativa das doenças infecciosas (DIs). Isso resulta em uma 'dupla carga de doenças' para o sistema de saúde.
Fatores como desigualdades sociais, urbanização acelerada sem saneamento adequado, mudanças nos padrões de vida e alimentação, e a persistência de vetores de doenças infecciosas contribuem para a manutenção desse padrão. A falta de acesso equitativo a serviços de saúde também agrava o cenário.
A polarização prolongada impõe uma 'dupla carga' ao sistema de saúde, que precisa lidar simultaneamente com a prevenção e tratamento de doenças infecciosas e com o manejo complexo e de longo prazo das doenças crônicas. Isso exige recursos e estratégias de saúde pública adaptadas a essa realidade multifacetada.
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