UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Um determinado país possui elevada cobertura vacinal para as doenças imunopreveníveis, percentagem de cobertura para água tratada e tratamento de esgoto acima de 95%, índice de desenvolvimento urbano elevado, atendimento médico público e gratuito de qualidade. Nestas condições deve-se esperar que esse país apresente também:
País desenvolvido → Curva de Moraes em J, Swaroop-Uemura > 75%, causas maternas indiretas > diretas, perinatal > pós-neonatal.
Países com alto desenvolvimento socioeconômico e excelente infraestrutura de saúde tendem a apresentar um perfil epidemiológico de transição avançada. Isso se reflete em indicadores como a curva de Moraes em formato de J (maior mortalidade em idosos), alta proporção de óbitos em idosos (Swaroop-Uemura > 75%), e predominância de causas maternas indiretas, além de maior proporção de óbitos perinatais em relação aos pós-neonatais.
A análise dos indicadores de saúde é crucial para compreender o perfil epidemiológico de um país e seu estágio de desenvolvimento. Países com alta cobertura vacinal, saneamento básico universal, elevado índice de desenvolvimento urbano e acesso a serviços de saúde de qualidade demonstram uma transição epidemiológica avançada. Nesses cenários, as doenças infecciosas e parasitárias são controladas, e a expectativa de vida é elevada. Nessas condições, espera-se uma Curva de Moraes com formato em J, indicando que a mortalidade é mais concentrada nas idades extremas (infância e, principalmente, idosos), com baixa mortalidade na idade adulta produtiva. O indicador de Swaroop-Uemura, que representa a proporção de óbitos em indivíduos com 50 anos ou mais, será elevado, geralmente acima de 75%, reforçando a maior longevidade da população. Em relação à mortalidade materna, há uma predominância das causas indiretas (doenças preexistentes agravadas pela gravidez) sobre as diretas (complicações obstétricas), devido à melhor assistência ao parto e pré-natal. Além disso, a proporção de causas perinatais (óbitos até 7 dias de vida) tende a ser maior em relação às causas pós-neonatais (óbitos de 28 dias a 1 ano), refletindo a redução da mortalidade por doenças infecciosas na infância e a persistência de desafios relacionados ao parto e ao período neonatal.
A Curva de Moraes em formato de J indica que a maior parte da mortalidade ocorre nos extremos da vida, com uma queda acentuada na infância e idade adulta jovem, e um aumento significativo na população idosa, característico de países desenvolvidos.
O indicador de Swaroop-Uemura, que mede a proporção de óbitos em indivíduos com 50 anos ou mais, reflete o desenvolvimento ao mostrar que em países avançados, a maioria dos óbitos ocorre em idades mais avançadas, indicando maior expectativa de vida.
Causas maternas diretas são complicações obstétricas (hemorragia, eclâmpsia), enquanto indiretas são doenças preexistentes agravadas pela gravidez (cardiopatias). Em países desenvolvidos, com melhor assistência obstétrica, as causas indiretas tendem a predominar.
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