INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
O gráfico a seguir apresenta a mortalidade proporcional por causa no Brasil, de 1930 a 2004. A partir da análise do gráfico, infere-se que
Transição epidemiológica → ↑ DCNT (sedentarismo/obesidade) e ↓ Doenças Infectocontagiosas.
O perfil de mortalidade brasileiro mudou drasticamente no século XX, com o aumento das doenças crônicas impulsionado por mudanças no estilo de vida, urbanização e envelhecimento populacional.
A análise da mortalidade proporcional é uma ferramenta fundamental da epidemiologia para entender as prioridades de saúde de uma nação. No Brasil, o gráfico histórico de 1930 a 2004 revela a superação do modelo de doenças infectocontagiosas pelo modelo de doenças crônicas e causas externas. As doenças do aparelho circulatório consolidaram-se como a principal causa de óbito. Este fenômeno não é apenas biológico, mas social. O sedentarismo e o excesso de peso, citados na alternativa correta, são reflexos de uma transição nutricional e de estilo de vida. O controle dessas condições exige não apenas intervenções médicas individuais, mas políticas públicas intersetoriais que promovam ambientes saudáveis, redução do tabagismo e acesso a alimentos in natura, visando frear a progressão das DCNT.
A transição epidemiológica no Brasil é caracterizada por três processos principais: a queda acentuada da mortalidade por doenças infectocontagiosas e parasitárias, o aumento expressivo das mortes por doenças crônicas não transmissíveis (como doenças cardiovasculares e neoplasias) e o crescimento das causas externas (violência e acidentes). Esse processo ocorreu de forma rápida e concomitante à transição demográfica (envelhecimento da população).
O aumento contínuo das DCNT a partir da década de 1950 deve-se à urbanização acelerada, que alterou os hábitos de vida da população. Isso inclui a adoção de dietas hipercalóricas e processadas, o aumento do sedentarismo, o tabagismo e o estresse urbano. Além disso, a melhoria no controle de doenças infecciosas permitiu que a população vivesse mais, ficando exposta por mais tempo aos fatores de risco das doenças crônicas.
As causas externas, que englobam homicídios, suicídios e acidentes de trânsito, tornaram-se uma das principais causas de morte no Brasil, especialmente entre jovens do sexo masculino. Diferente das doenças crônicas, que afetam mais os idosos, as causas externas geram um grande impacto nos anos potenciais de vida perdidos, sendo um desafio persistente para as políticas de segurança e saúde pública.
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