Transfusão em Testemunha de Jeová: Emergência e Ética Médica

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino, 21 anos, testemunha de Jeová, é levado sem acompanhantes ao pronto socorro após seu carro colidir com outro carro em alta velocidade. Ao chegar para atendimento, é identificado, na ultrassonografia, líquido livre na cavidade abdominal e pressão arterial de 80 x 60 mmHg e frequência cardíaca de 120 bpm. Prontamente indicada a laparotomia exploradora, o paciente apresenta durante a cirurgia pressão inaudível. Qual a conduta mais correta tendo em vista a religião do paciente e a necessidade de transfusão sanguínea?

Alternativas

  1. A) Realizar transfusão sanguínea, pois se trata de risco iminente de morte.
  2. B) Realizar transfusão apenas de plaquetas, pois não fere totalmente seus princípios religiosos.
  3. C) Realizar expansão volêmica apenas com cristaloides, pois a religião não permite hemotransfusão. 
  4. D) Ligar para a família para saber seu posicionamento.
  5. E) Consultar o comitê de ética do Hospital.

Pérola Clínica

Risco iminente de morte → transfusão de emergência em Testemunha de Jeová, mesmo sem consentimento formal prévio.

Resumo-Chave

Em situações de risco iminente de morte e ausência de familiares ou documento legal que comprove a recusa prévia, o médico tem o dever ético e legal de realizar a conduta necessária para salvar a vida do paciente, incluindo transfusão sanguínea, independentemente de crenças religiosas.

Contexto Educacional

A questão aborda um dilema ético crucial na medicina de emergência: a recusa de transfusão sanguínea por Testemunhas de Jeová versus o dever médico de preservar a vida. É um tema frequente em provas de residência e na prática clínica, exigindo conhecimento de bioética e legislação. Em casos de risco iminente de morte, como choque hipovolêmico grave por trauma, a prioridade é a estabilização do paciente. A jurisprudência e a ética médica brasileira geralmente apoiam a realização de procedimentos salvadores de vida, mesmo contra a vontade expressa por crenças religiosas, se não houver diretivas antecipadas de vontade claras e formalizadas para a situação específica e o paciente estiver inconsciente ou incapaz de decidir. A conduta correta é realizar a transfusão sanguínea para salvar a vida do paciente. A busca por alternativas ou a consulta a familiares/comitê de ética, embora importantes em situações menos urgentes, não são prioritárias quando há risco de morte iminente e o paciente está inconsciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os princípios éticos que regem a transfusão em Testemunhas de Jeová em emergência?

Em risco iminente de morte, o dever de salvar a vida se sobrepõe à recusa de tratamento não formalizada para a situação atual, especialmente na ausência de familiares ou diretivas antecipadas claras.

Quando a transfusão sanguínea pode ser realizada sem consentimento do paciente?

Em situações de emergência com risco iminente de morte e incapacidade do paciente de expressar sua vontade, ou ausência de familiares/documentos que comprovem recusa prévia.

Como diferenciar a autonomia do paciente do dever médico de salvar vidas?

A autonomia é respeitada quando o paciente é capaz e consciente. Em emergências graves, o dever médico de preservar a vida prevalece, especialmente se não há recusa formal e consciente para aquela situação.

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