Transfusão no Politrauma: Manejo da Hemorragia Massiva

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Com relação à transfusão de hemocomponentes no politrauma é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A transfusão de plaquetas é recomendada quando a contagem de plaquetas estiver abaixo de 150.000/L.
  2. B) Após a transfusão de hemácias, deve-se aguardar no mínimo 1 hora para se realizar a transfusão de plasmo fresco.
  3. C) Quando houver hemorragia massiva com risco de vida, é necessária a transfusão de hemácias do tipo O Rh negativo.
  4. D) A dose recomendada para transfusão de plaquetas é de 1UI para 25 Kg.

Pérola Clínica

Hemorragia massiva com risco de vida → Transfusão de hemácias O Rh negativo (doador universal) antes da tipagem.

Resumo-Chave

Em situações de hemorragia massiva e risco iminente de vida, a prioridade é restaurar o volume e a capacidade de transporte de oxigênio. A transfusão de hemácias O Rh negativo é crucial, pois pode ser administrada imediatamente sem a necessidade de tipagem e prova cruzada, ganhando tempo precioso.

Contexto Educacional

A transfusão de hemocomponentes é um pilar fundamental no manejo do paciente politraumatizado com hemorragia. A hemorragia é a principal causa de morte evitável no trauma, e o reconhecimento precoce e a correção da perda sanguínea são cruciais. A coagulopatia induzida por trauma, hipotermia e acidose formam a 'tríade letal', que deve ser ativamente combatida. O residente deve estar familiarizado com os protocolos de transfusão maciça e as indicações de cada hemocomponente. Em casos de hemorragia massiva com risco de vida, a administração imediata de hemácias O Rh negativo (doador universal) é uma medida salvadora, pois permite a reposição volêmica e de oxigênio sem atrasos para tipagem e prova cruzada. Uma vez que o tipo sanguíneo do paciente é determinado, a transfusão pode ser direcionada para hemácias tipo-específicas. Além das hemácias, o plasma fresco congelado (PFC) e as plaquetas são essenciais para corrigir a coagulopatia. O PFC repõe fatores de coagulação, e as plaquetas são fundamentais para a hemostasia primária. Os protocolos de transfusão maciça frequentemente preconizam uma relação de 1:1:1 entre concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas, visando mimetizar o sangue total e corrigir a coagulopatia de forma mais eficaz. A monitorização contínua dos parâmetros hemodinâmicos, exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, gasometria) e a resposta clínica do paciente são essenciais para guiar a terapia transfusional. A compreensão desses princípios é vital para o residente na emergência e no centro cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a transfusão de hemácias O Rh negativo no politrauma?

A transfusão de hemácias O Rh negativo é indicada em situações de hemorragia massiva com risco de vida, quando não há tempo para realizar a tipagem sanguínea e prova cruzada do paciente. É considerada uma medida de emergência para estabilizar o paciente hemodinamicamente.

Qual a recomendação para transfusão de plaquetas em pacientes traumatizados?

A transfusão de plaquetas é geralmente recomendada quando a contagem de plaquetas está abaixo de 50.000/L em pacientes com sangramento ativo ou antes de procedimentos invasivos. Em hemorragia maciça, pode ser considerada uma relação de 1:1:1 (hemácias:plasma:plaquetas) para mimetizar o sangue total.

Existe um tempo mínimo para aguardar entre a transfusão de hemácias e plasma fresco?

Não há um tempo mínimo obrigatório para aguardar entre a transfusão de hemácias e plasma fresco. Em situações de hemorragia massiva, ambos os componentes são administrados de forma rápida e concomitante, muitas vezes seguindo um protocolo de transfusão maciça para corrigir a coagulopatia e a perda volêmica simultaneamente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo