DHP: Transfusão Intrauterina e Manejo da Anemia Fetal

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024

Enunciado

Considerando o manejo da doença hemolítica perinatal (DHP), é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) valores de pico de velocidade sistólica na dopplervelocimetria da artéria cerebral média (PVS-ACM) acima de 1,5 múltiplo da mediana (MoM) para a idade gestacional evidenciam anemia fetal moderada ou grave, com sensibilidade baixa sensibilidade (36%) e alta especificidade (91%).
  2. B) para transfusão intrauterina, utiliza-se sangue do tipo O Rh negativo, com hematócrito entre 65% e 85% e submetido à irradiação, que promove menor reação enxertohospedeiro.
  3. C) o teste de coombs direto deve ser preconizado a gestantes Rh negativo (D variante negativo), parceiro Rh positivo, na primeira visita pré-natal e nos trimestres subsequentes.
  4. D) a avaliação do PVS-ACM fetal deve ser realizada de rotina nas gestantes Rh negativo com CI positivo, independente dos valores de titulação.
  5. E) na DHP grave, os níveis elevados de bilirrubina indireta no sangue fetal comprometem o desenvolvimento neurológico intrauterino.

Pérola Clínica

Transfusão intrauterina DHP → Sangue O Rh-, Ht 65-85%, irradiado (↓ reação enxerto-hospedeiro).

Resumo-Chave

A transfusão intrauterina é crucial no manejo da DHP grave. O uso de sangue O Rh negativo e irradiado minimiza riscos como reações transfusionais e doença do enxerto contra o hospedeiro, enquanto o hematócrito otimizado garante a correção efetiva da anemia fetal.

Contexto Educacional

A Doença Hemolítica Perinatal (DHP) é uma condição grave causada pela passagem de anticorpos maternos que destroem os glóbulos vermelhos fetais, resultando em anemia. A incompatibilidade Rh é a causa mais comum, mas outras incompatibilidades de grupos sanguíneos também podem ocorrer. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações como hidropsia fetal e óbito. O diagnóstico e monitoramento da DHP envolvem a titulação de anticorpos maternos, o teste de Coombs direto e, principalmente, a dopplervelocimetria da artéria cerebral média (PVS-ACM). Valores de PVS-ACM acima de 1,5 MoM são altamente preditivos de anemia fetal moderada a grave, guiando a necessidade de intervenções. A avaliação do PVS-ACM deve ser rotineira em gestantes Rh negativo sensibilizadas. Quando a anemia fetal é grave, a transfusão intrauterina é a principal intervenção. O sangue utilizado deve ser do tipo O Rh negativo, com hematócrito concentrado (65-85%) para maximizar a correção da anemia, e obrigatoriamente irradiado para prevenir a doença do enxerto contra o hospedeiro. A bilirrubina indireta elevada no sangue fetal, embora um marcador de hemólise, não causa dano neurológico intrauterino direto, mas sim no período neonatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar uma transfusão intrauterina na DHP?

A transfusão intrauterina é indicada principalmente quando o pico de velocidade sistólica da artéria cerebral média (PVS-ACM) está acima de 1,5 MoM, indicando anemia fetal moderada a grave, ou na presença de hidropsia fetal.

Por que o sangue utilizado na transfusão intrauterina deve ser irradiado?

O sangue deve ser irradiado para inativar os linfócitos T do doador, prevenindo a doença do enxerto contra o hospedeiro, uma complicação potencialmente fatal em fetos com sistema imunológico imaturo.

Como a dopplervelocimetria da artéria cerebral média auxilia no diagnóstico da anemia fetal?

O PVS-ACM aumenta em fetos anêmicos devido à diminuição da viscosidade sanguínea e ao aumento do fluxo cerebral, sendo um método não invasivo e altamente sensível para detectar anemia fetal moderada a grave.

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