Transfusão Pré-Operatória no Paciente Cirrótico com Abdome Agudo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 68 anos, com diagnóstico prévio de cirrose hepática compensada, é admitido no pronto-socorro com quadro de dor abdominal súbita e sinais de irritação peritoneal. A equipe da cirurgia geral indica laparotomia exploradora de urgência por suspeita de perfuração de víscera oca. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, mas relata astenia crônica. Os exames laboratoriais colhidos na admissão revelam o seguinte perfil: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :---: | :--- | | Hemoglobina | 6,4 g/dL | 13,0 – 17,0 g/dL | | Hematócrito | 19,2 % | 40 – 50 % | | Plaquetas | 32.000/mm³ | 150.000 – 450.000/mm³ | | RNI (Tempo de Protrombina) | 1,1 | Até 1,2 | | Creatinina | 1,1 mg/dL | 0,7 – 1,3 mg/dL | Considerando a necessidade cirúrgica imediata, a conduta transfusional mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Transfusão de plasma fresco congelado e crioprecipitado.
  2. B) Transfusão isolada de concentrado de plaquetas.
  3. C) Transfusão de concentrado de hemácias e de concentrado de plaquetas.
  4. D) Transfusão isolada de concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Hb < 7 g/dL ou Plaquetas < 50.000/mm³ em cirurgia de grande porte → Transfusão indicada.

Resumo-Chave

Pacientes cirúrgicos com anemia grave (Hb < 7) e trombocitopenia abaixo do limiar de segurança para grandes procedimentos (50.000) necessitam de correção pré-operatória imediata.

Contexto Educacional

O manejo perioperatório do paciente cirrótico é complexo devido às alterações na hemostasia e à reserva funcional limitada. A trombocitopenia é comum, frequentemente secundária ao hiperesplenismo e à redução da trombopoietina. Embora o cirrótico viva em um 'equilíbrio precário' de coagulação, cirurgias de urgência exigem margens de segurança estabelecidas. A decisão transfusional deve ser guiada por metas laboratoriais específicas: Hb > 7-8 g/dL e plaquetas > 50.000/mm³. O uso indiscriminado de plasma deve ser evitado pelo risco de sobrecarga volêmica (TACO) e lesão pulmonar (TRALI), especialmente em pacientes com hipertensão portal. A estabilidade hemodinâmica não exclui a necessidade de correção desses parâmetros antes de uma agressão cirúrgica de grande porte.

Perguntas Frequentes

Qual o gatilho para transfusão de hemácias no pré-operatório?

Para a maioria dos pacientes estáveis e sem sangramento ativo maciço, o gatilho transfusional recomendado é uma hemoglobina (Hb) inferior a 7,0 g/dL. No caso clínico, o paciente apresenta Hb de 6,4 g/dL, o que justifica a transfusão de concentrado de hemácias para otimizar o transporte de oxigênio durante o estresse cirúrgico e a anestesia geral.

Qual o nível de plaquetas seguro para laparotomia?

Para procedimentos cirúrgicos de grande porte, como uma laparotomia exploradora, o consenso geral recomenda manter a contagem de plaquetas acima de 50.000/mm³. Como o paciente apresenta 32.000/mm³, há um risco aumentado de sangramento intraoperatório de difícil controle, tornando a transfusão de plaquetas mandatória antes da incisão.

Quando transfundir plasma fresco no paciente cirrótico?

A transfusão de plasma fresco congelado (PFC) deve ser reservada para pacientes com sangramento ativo e coagulopatia documentada (geralmente RNI > 1,5 a 2,0) ou antes de procedimentos invasivos em pacientes com RNI significativamente elevado. No caso apresentado, o RNI é de 1,1 (dentro da normalidade), portanto, não há indicação para PFC.

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