INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 45 anos de idade, em preparo para colecistectomia por doença calculosa, procura o médico da Unidade Básica de Saúde de seu bairro, apresentando os resultados dos exames laboratoriais solicitados. O hemograma apresenta hemoglobina = 11 g/dL. Ela quer saber sobre o risco da necessidade de transfusão de sangue durante a operação. Salienta que não perguntou ao cirurgião a respeito da necessidade de transfusão. Tendo como base o Guia para o Uso de Hemocomponentes do Ministério da Saúde, o médico formulará a resposta à paciente com base no fato de que:
Transfusão = Transplante de tecido → Indicar apenas se houver benefício clínico claro sobre os riscos.
A transfusão de hemocomponentes não é isenta de riscos (imunológicos, infecciosos, sobrecarga). A decisão deve ser individualizada, priorizando estratégias restritivas.
O Guia para o Uso de Hemocomponentes do Ministério da Saúde enfatiza que a transfusão é um procedimento terapêutico que deve ser prescrito com critério médico rigoroso. A prática moderna de 'Patient Blood Management' (PBM) foca em tratar a anemia pré-operatória, minimizar a perda sanguínea cirúrgica e otimizar a tolerância fisiológica à anemia. A decisão de transfundir deve considerar a idade do paciente, a rapidez da perda sanguínea, a reserva cardiopulmonar e os sinais de hipóxia tecidual. A máxima 'transfundir o paciente e não o exame' reflete a necessidade de avaliar a clínica soberana frente aos riscos inerentes aos hemocomponentes.
Os riscos dividem-se em imediatos (reações hemolíticas agudas, febris não hemolíticas, alérgicas, TRALI - lesão pulmonar aguda associada à transfusão, e sobrecarga volêmica/TACO) e tardios (aloimunização, reações hemolíticas tardias, transmissão de infecções como HIV, Hepatites e Doença de Chagas, e imunomodulação relacionada à transfusão).
Atualmente, recomenda-se uma estratégia restritiva. Em pacientes euvolêmicos e sem evidência de isquemia miocárdica ativa, a transfusão de concentrado de hemácias geralmente é considerada quando a hemoglobina está abaixo de 7-8 g/dL. Valores acima de 10 g/dL raramente justificam transfusão, a menos que haja perda aguda maciça ou comorbidades graves.
Não necessariamente. Uma colecistectomia eletiva em paciente estável com Hb de 11 g/dL apresenta baixo risco de sangramento vultoso. A reserva de sangue deve seguir protocolos institucionais baseados na probabilidade de transfusão da cirurgia específica. Transfundir para 'recuperação mais rápida' ou apenas pela idade é contraindicado pelo risco desnecessário.
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