SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Quanto a transfusão de hemocomponentes e reações transfusionais agudas é incorreto afirmar:
Plaquetas: profilaxia se <10.000/mm³ (estável) ou <20.000/mm³ (febre/sepse); terapêutica se sangramento.
A transfusão de plaquetas não é exclusivamente terapêutica; ela possui indicações profiláticas bem estabelecidas para prevenir sangramentos espontâneos em pacientes com trombocitopenia grave.
A hemoterapia moderna baseia-se em evidências que favorecem estratégias restritivas de transfusão, visando minimizar riscos imunológicos e infecciosos. A indicação de hemácias deve ser pautada na clínica do paciente (perfusão tecidual) e não apenas em valores de hemoglobina. As reações transfusionais agudas, ocorrendo nas primeiras 24 horas, exigem reconhecimento imediato, variando desde a reação febril não hemolítica até o TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury) e a hemólise aguda por incompatibilidade ABO. No caso das plaquetas, a distinção entre uso profilático e terapêutico é fundamental. A profilaxia protege pacientes onco-hematológicos de sangramentos espontâneos do SNC e TGI. Já o plasma fresco congelado é reservado para correções de coagulopatias com INR > 1.5 em vigência de sangramento ou procedimento invasivo iminente, não devendo ser utilizado apenas para expansão volêmica.
Para a maioria dos pacientes clínicos e cirúrgicos hemodinamicamente estáveis, a estratégia restritiva é preferível. O gatilho geralmente situa-se entre 7 e 8 g/dL de hemoglobina. Em pacientes com doença cardiovascular pré-existente ou sintomas de anemia, o limiar pode ser ligeiramente superior (8 g/dL), mas a decisão deve sempre considerar o estado clínico global, não apenas o valor laboratorial isolado.
A transfusão profilática é indicada para prevenir sangramentos em pacientes com falência medular. O limiar clássico é < 10.000/mm³ em pacientes estáveis. Se houver fatores de risco como febre, infecção ou uso de medicamentos que alterem a hemostasia, o limiar sobe para 20.000/mm³. Para procedimentos invasivos, os alvos variam entre 50.000/mm³ (cirurgias gerais) e 100.000/mm³ (neurocirurgia ou cirurgia oftalmológica).
A dose recomendada de PFC para correção de distúrbios de coagulação ou reposição de fatores é de 10 a 20 mL por kg de peso do paciente. O objetivo é elevar os níveis dos fatores de coagulação para pelo menos 20-30% do normal, o que geralmente é suficiente para manter a hemostasia clínica em situações de sangramento ou pré-operatório de risco.
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