Transfusão de Hemácias em Politrauma Pediátrico: Quando Indicar?

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Quanto à transfusão de concentrado de hemácias em crianças vítimas de politrauma, é CORRETO afirmar que a solução deve ser administrada:

Alternativas

  1. A) Assim que disponível em todas as crianças vítimas de trauma abdominal.
  2. B) O mais precocemente possível.
  3. C) Após a infusão de duas alíquotas de soluções cristaloides, caso a estabilidade não tenha sido atingida.
  4. D) Em todos os casos de politrauma preventivamente.

Pérola Clínica

Trauma pediátrico: Transfundir hemácias APÓS 2 alíquotas de cristaloide se instabilidade persistir.

Resumo-Chave

No manejo inicial do choque hipovolêmico em crianças vítimas de politrauma, a prioridade é a reposição volêmica com soluções cristaloides. O ATLS recomenda a infusão de duas alíquotas de 20 mL/kg de cristaloide isotônico. Somente se a criança permanecer instável hemodinamicamente após essas duas alíquotas, a transfusão de concentrado de hemácias deve ser considerada.

Contexto Educacional

O manejo do politrauma em crianças representa um desafio significativo devido às particularidades fisiológicas e anatômicas da faixa etária pediátrica. O choque hipovolêmico é a principal causa de morte evitável em crianças traumatizadas, e a reposição volêmica adequada é a pedra angular do tratamento. Residentes e estudantes devem dominar os princípios da fluidoterapia e transfusão sanguínea nesse cenário. Inicialmente, a prioridade é a estabilização hemodinâmica com a infusão rápida de soluções cristaloides isotônicas. O ATLS preconiza a administração de alíquotas de 20 mL/kg de Ringer Lactato ou soro fisiológico 0,9%, que podem ser repetidas até duas vezes. A avaliação da resposta à fluidoterapia (melhora da frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão periférica e nível de consciência) é crucial para determinar a necessidade de intervenções adicionais. A transfusão de concentrado de hemácias deve ser reservada para crianças que permanecem instáveis hemodinamicamente após a infusão de duas alíquotas de cristaloides, ou na presença de sinais de hemorragia maciça e contínua. A decisão de transfundir deve ser criteriosa, considerando os riscos inerentes à transfusão sanguínea. Em casos de hemorragia exsanguinante, a transfusão de hemácias, plasma fresco congelado e plaquetas em proporções balanceadas pode ser indicada precocemente.

Perguntas Frequentes

Qual a dose inicial de cristaloide em crianças com choque hipovolêmico?

A dose inicial recomendada de cristaloide isotônico (como Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%) em crianças com choque hipovolêmico é de 20 mL/kg, que pode ser repetida uma ou duas vezes.

Quais são os riscos da transfusão de hemácias em crianças?

Os riscos da transfusão de hemácias em crianças incluem reações transfusionais (alérgicas, febris não hemolíticas, hemolíticas), sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) e infecções.

Quando considerar a transfusão maciça em trauma pediátrico?

A transfusão maciça em trauma pediátrico deve ser considerada em casos de choque refratário à fluidoterapia inicial, hemorragia incontrolável, ou quando o paciente apresenta sinais de coagulopatia induzida pelo trauma, seguindo protocolos específicos.

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