Transfusão de Hemácias no Trauma: Impacto no Hematócrito

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente sexo masculino, 27 anos ,70 kg, sem comorbidades é admitido no setor de emergência vítima de ferimento por arma de fogo em hipocôndrio direito. Apresenta abertura ocular ao chamado e retirada do membro ao estimulo doloroso não apresenta resposta verbal a nenhum estimulo. Foi levado ao centro cirúrgico para laparotomia de emergência. Exame laboratorial colhido em sala revela hematócrito de 18%. O sangramento cirúrgico foi controlado.A respeito desse caso

Alternativas

  1. A) hipotermia, hipocalemia e acidose podem contribuir para o desenvolvimento de disturbio da coagulação
  2. B) considerando-se que o tempo de jejum do paciente é desconhecido, o uso de cisatracurio como relaxante muscular para indução do paciente em sequencia rapida é adequado
  3. C) espera-se que cada unidade de concentrado de hemacias transfundida leve o hematocrito em aproximadamente 2-3%
  4. D) a punção venosa profunda é a tecnica de eleição para permitir a ressuscitação volemica no setor de emergência
  5. E) apresenta escala de coma de gasglow de 9 a admissão

Pérola Clínica

Cada unidade de concentrado de hemácias ↑ Hematócrito em ~2-3% em adultos.

Resumo-Chave

Em pacientes com sangramento agudo e anemia grave, a transfusão de concentrado de hemácias é crucial. Uma regra prática importante é que cada unidade de concentrado de hemácias transfundida em um adulto de 70 kg eleva o hematócrito em aproximadamente 2-3%.

Contexto Educacional

O manejo do trauma grave, especialmente com sangramento maciço, exige uma compreensão aprofundada da fisiologia e das intervenções de emergência. A avaliação inicial e a ressuscitação volêmica são cruciais, com o objetivo de restaurar a perfusão tecidual e controlar a hemorragia. A Escala de Coma de Glasgow (GCS) é uma ferramenta essencial para avaliar o nível de consciência e a gravidade do trauma cranioencefálico associado. A anemia grave, como um hematócrito de 18%, indica um sangramento significativo que requer transfusão de produtos sanguíneos. A regra de que cada unidade de concentrado de hemácias eleva o hematócrito em 2-3% é um guia prático importante para o manejo transfusional. É vital também monitorar e corrigir a tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia) que pode agravar o sangramento. A escolha dos relaxantes musculares para indução em sequência rápida deve considerar o tempo de jejum e o risco de aspiração. Succinilcolina ou rocurônio são geralmente preferidos devido ao seu rápido início de ação. A ressuscitação volêmica deve ser feita preferencialmente por acessos venosos periféricos calibrosos, reservando acessos centrais para situações específicas ou quando os periféricos são insuficientes.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade letal no trauma e como ela afeta a coagulação?

A tríade letal é composta por hipotermia, acidose e coagulopatia. Cada componente agrava os outros, levando a um ciclo vicioso que impede a hemostasia e aumenta a mortalidade em pacientes traumatizados.

Quais são as vias de acesso preferenciais para ressuscitação volêmica rápida no trauma?

As vias preferenciais são dois acessos venosos periféricos calibrosos (ex: 14G ou 16G) devido à sua rapidez e menor risco de complicações. A punção venosa profunda é uma alternativa se o acesso periférico for inviável.

Como calcular a Escala de Coma de Glasgow (GCS) neste caso?

A GCS é calculada somando os pontos de abertura ocular (E), resposta verbal (V) e resposta motora (M). Neste caso: E3 (ao chamado), V1 (sem resposta verbal), M4 (retirada ao estímulo doloroso), totalizando 8 pontos.

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