AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente de 71 anos, sexo masculino, hipertenso e diabético, foi submetido a retossigmoidectomia por adenocarcinoma de cólon. No 1º dia de pós-operatório, está em uso de dieta zero, sem sangramento ativo aparente, pressão arterial de 118x76 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm, sem dor torácica ou dispneia. A hemoglobina caiu de 10,1 g/dL no préoperatório para 7,3 g/dL. Encontra-se lúcido, orientado e clinicamente estável. Qual a conduta mais adequada em relação à transfusão de Concentrado de Hemácias (CH)?
Paciente estável sem sangramento ativo → Gatilho transfusional é Hb < 7 g/dL.
Estratégias restritivas de transfusão (Hb < 7) são superiores ou equivalentes às liberais em pacientes estáveis, reduzindo riscos de sobrecarga e reações imunológicas.
O manejo da anemia no pós-operatório evoluiu significativamente para uma abordagem mais conservadora. O caso descreve um paciente idoso, hipertenso e diabético, que apesar de uma queda de hemoglobina para 7,3 g/dL, permanece lúcido, orientado e com sinais vitais estáveis (PA 118x76 mmHg, FC 78 bpm). De acordo com as diretrizes da AABB e outras sociedades internacionais, em pacientes sem evidência de sangramento ativo ou isquemia miocárdica, o limiar de 7 g/dL deve ser respeitado. A decisão de não transfundir baseia-se na ausência de sintomas de má perfusão e na estabilidade hemodinâmica, priorizando a segurança do paciente frente aos riscos inerentes aos hemocomponentes.
Para a maioria dos pacientes hospitalizados e hemodinamicamente estáveis, a recomendação atual baseada em evidências (como o estudo TRICC) é uma estratégia restritiva, com gatilho de hemoglobina < 7 g/dL. Acima desse valor, a transfusão não demonstrou benefício em termos de mortalidade e aumenta o risco de complicações como TRALI (lesão pulmonar aguda) e TACO (sobrecarga circulatória).
Sim. Pacientes com doença cardiovascular pré-existente (especialmente síndrome coronariana aguda) ou sintomas claros de hipóxia tecidual (taquicardia persistente, dor torácica isquêmica, hipotensão ortostática) podem se beneficiar de um gatilho mais liberal, geralmente Hb < 8 g/dL ou conforme a sintomatologia clínica.
Além dos riscos infecciosos (embora raros hoje), a transfusão de sangue alogênico é imunomoduladora (TRIM), o que pode aumentar a taxa de infecções hospitalares e, em casos de câncer, possivelmente influenciar a recorrência tumoral. Além disso, a sobrecarga volêmica é um risco real em idosos com comorbidades cardíacas.
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