USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Paciente, do sexo feminino, 23 anos de idade, tem anemia falciforme com hemoglobina basal de 7 g/dL, com antecedente de transfusões desde a infância. Comparece na emergência com dispneia e dor torácica. Ao exame físico, apresentou PA de 100x68 mmHg, FC de 112 bpm, FR de 26 ipm, temperatura 36,8 °C e saturação de oxigênio de 89%; hipocorada 3+/4+, hidratada, colaborativa; murmúrios vesiculares bilateralmente com estertores crepitantes na base direita; demais aparelhos sem alterações.Exames laboratoriais:Hb: 5,2 g/dLLeucócitos: 12.000 células/mm³Plaquetas: 123 mil/mm³Creatinina: 1,2 mg/dLFoi indicada transfusão de 2 concentrados de hemácias. Qual é a técnica que deve ser utilizada com este hemocomponente além da filtração?
Anemia falciforme politransfundida → Fenotipagem estendida para prevenir aloimunização e reações transfusionais.
Pacientes com anemia falciforme que necessitam de transfusões frequentes têm alto risco de desenvolver aloimunização contra antígenos eritrocitários. A fenotipagem estendida, além da tipagem ABO/Rh, é crucial para selecionar hemácias compatíveis e minimizar esse risco, melhorando a segurança transfusional.
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia genética comum no Brasil, caracterizada por hemólise crônica e crises vaso-oclusivas. A transfusão de hemácias é uma terapia vital para o manejo de complicações agudas e crônicas, sendo uma das intervenções mais frequentes nesses pacientes. A compreensão das particularidades transfusionais é crucial para a segurança e eficácia do tratamento. Pacientes com anemia falciforme que recebem transfusões repetidas (politransfundidos) apresentam um risco elevado de desenvolver aloimunização, ou seja, a formação de anticorpos contra antígenos eritrocitários presentes nas hemácias transfundidas, mas ausentes nas suas próprias. Essa aloimunização pode levar a reações transfusionais hemolíticas graves e dificultar futuras transfusões. A fenotipagem estendida, que avalia antígenos como Rh, Kell, Kidd e Duffy, é a estratégia mais eficaz para selecionar hemácias compatíveis e prevenir essa complicação. A técnica de filtração (leucodepleção) é uma prática padrão para reduzir o risco de reações febris não hemolíticas, transmissão de citomegalovírus e aloimunização contra antígenos leucocitários. No entanto, para a prevenção da aloimunização eritrocitária em pacientes falciformes, a fenotipagem estendida é indispensável. O manejo transfusional adequado, incluindo a seleção criteriosa dos hemocomponentes, impacta diretamente a morbidade e mortalidade desses pacientes.
Os principais riscos incluem aloimunização contra antígenos eritrocitários, reações transfusionais hemolíticas tardias e sobrecarga de ferro, especialmente em pacientes politransfundidos.
A fenotipagem estendida identifica antígenos eritrocitários além do ABO/Rh, permitindo a seleção de hemácias mais compatíveis e reduzindo significativamente o risco de aloimunização e reações transfusionais.
Além da fenotipagem estendida, a filtração das hemácias para leucodepleção é padrão, e o monitoramento da sobrecarga de ferro com quelação é fundamental em pacientes com transfusões crônicas.
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