HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Um paciente de 68 anos com histórico de hipertensão e diabetes tipo 2 é admitido com um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico agudo. Ele recebeu trombólise intravenosa (rtPA) nas primeiras 4 horas após o início dos sintomas. No segundo dia de internação, o paciente apresenta deterioração do nível de consciência, aumento súbito da hemiparesia e sinais de hipertensão intracraniana. Qual a provável causa dessa evolução?
Piora neurológica súbita pós-trombólise para AVC isquêmico → suspeitar transformação hemorrágica.
A transformação hemorrágica é uma complicação grave da trombólise em AVC isquêmico, especialmente em pacientes com fatores de risco como hipertensão e diabetes. A deterioração neurológica súbita, com sinais de hipertensão intracraniana, é altamente sugestiva dessa condição.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo é uma emergência médica, e a trombólise intravenosa com rtPA é um tratamento eficaz para restaurar o fluxo sanguíneo cerebral. No entanto, a trombólise não é isenta de riscos, sendo a transformação hemorrágica uma das complicações mais temidas, com potencial de aumentar a morbimortalidade. A transformação hemorrágica ocorre quando há sangramento dentro da área de infarto isquêmico, podendo ser petequial ou parenquimatosa. Pacientes com fatores de risco como hipertensão e diabetes têm maior predisposição. A fisiopatologia envolve a reperfusão de vasos danificados pela isquemia, fragilizados pela ação do rtPA. A suspeita de transformação hemorrágica deve ser alta em pacientes que apresentam deterioração neurológica súbita após a trombólise, manifestada por piora do nível de consciência, aumento dos déficits focais e sinais de hipertensão intracraniana. O diagnóstico é confirmado por neuroimagem (TC de crânio). O manejo inclui a interrupção do rtPA, controle da pressão arterial e da hipertensão intracraniana, e, em alguns casos, intervenção neurocirúrgica.
Fatores de risco incluem idade avançada, gravidade do AVC inicial, hipertensão arterial não controlada, diabetes, uso de anticoagulantes prévios, grande área de infarto e tempo prolongado entre o início dos sintomas e a trombólise.
Os sinais incluem deterioração súbita do nível de consciência, piora focal dos déficits neurológicos, cefaleia intensa, náuseas, vômitos, convulsões e sinais de hipertensão intracraniana, como bradicardia e hipertensão arterial (reflexo de Cushing).
A conduta inicial é interromper imediatamente a infusão de rtPA, realizar uma tomografia computadorizada de crânio de emergência para confirmar a hemorragia e iniciar medidas de suporte para controle da hipertensão intracraniana e, se indicado, reversão da coagulopatia.
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