HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Mulher de 69 anos, portadora de hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca de fração ejeção normal, com diagnóstico de mielofibrose primária e necessidade de suporte transfusional semanal. procura o ambulatório de hematologia para transfusão de concentrado de hemácias. Após 30 minutos do início da infusão, a paciente apresenta febre de 38,4ºC, dispneia e dessaturação. A radiografia de tórax evidencia infiltrado alveolar bilateral difuso. Não havia icterícia, dor abdominal, náuseas ou alteração da cor da urina. Nesse caso, a reação transfusional está mais provavelmente associada a:
TRALI = Edema pulmonar não cardiogênico pós-transfusão + febre + infiltrado bilateral em < 6 horas.
A TRALI é uma reação imune grave causada por anticorpos do doador contra antígenos do receptor, resultando em lesão capilar pulmonar. Diferencia-se da sobrecarga volêmica (TACO) pela presença frequente de febre e ausência de sinais de falência cardíaca.
A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das principais causas de mortalidade relacionada à hemoterapia. Caracteriza-se pelo início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300) e infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ocorrendo durante ou até 6 horas após a transfusão, sem evidência de sobrecarga circulatória prévia. O diagnóstico é clínico e radiológico. A identificação correta é crucial para a hemovigilância, pois permite o rastreio de doadores (frequentemente mulheres multíparas com anticorpos anti-HLA) para evitar novos episódios em outros receptores. O manejo foca na proteção pulmonar e estabilização hemodinâmica até a resolução do quadro inflamatório.
A TRALI ocorre geralmente por um mecanismo de 'dois eventos'. O primeiro é a predisposição do paciente (inflamação, sepse), que causa sequestro de neutrófilos nos pulmões. O segundo é a transfusão de anticorpos anti-HLA ou anti-HNA presentes no plasma do doador, que ativam esses neutrófilos, causando dano endotelial e edema alveolar.
A TRALI frequentemente apresenta febre e hipotensão (ou pressão normal), com infiltrado pulmonar bilateral e ausência de sinais de congestão sistêmica (como turgência jugular). O TACO (Sobrecarga Circulatória) apresenta hipertensão, resposta rápida a diuréticos, elevação de BNP e sinais de sobrecarga hídrica, geralmente sem febre.
O tratamento é de suporte. Deve-se interromper a transfusão imediatamente, notificar o banco de sangue e fornecer suporte ventilatório (oxigênio suplementar ou ventilação mecânica, se necessário). Diferente do edema cardiogênico, os diuréticos não são indicados e podem ser prejudiciais se houver hipotensão associada.
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