UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Homem, 56a, admitido em Unidade de Emergência por fezes pretas, amolecidas e de odor fétido há 2 dias e tonturas há 3 horas. Antecedentes pessoais: fibrilação atrial, CHADS2=2 em uso de varfarina. Exame físico: descorado ++/4+, desidratado +/4+, FC= 104 bpm; PA= 82x55 mmHg; Peso= 72 kg; Pele: hematomas de até 3 cm em tronco e membros inferiores. Hb= 11,1 g/dL e RNI > 10. Administrados 600ml de plasma fresco congelado associado a vitamina K endovenosa. Seis horas após o paciente evoluiu com desconforto respiratório e necessidade de ventilação mecânica. Radiograma de tórax: opacidades heterogêneas bilaterais. O DIAGNÓSTICO É:
TRALI = Lesão pulmonar aguda pós-transfusão (geralmente plasma/plaquetas), com infiltrados bilaterais e hipoxemia em < 6h.
O quadro clínico de desconforto respiratório agudo, hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais após a transfusão de hemoderivados (especialmente plasma fresco congelado, como no caso) é altamente sugestivo de TRALI (Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão), uma complicação grave e potencialmente fatal.
A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma complicação grave e potencialmente fatal da transfusão de hemoderivados, sendo uma das principais causas de mortalidade relacionada à transfusão. Caracteriza-se pelo início agudo de hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais em até 6 horas após a transfusão, na ausência de outras causas de lesão pulmonar aguda. O plasma fresco congelado e as plaquetas são os componentes mais frequentemente associados à TRALI. A fisiopatologia da TRALI envolve a ativação de neutrófilos nos capilares pulmonares, geralmente mediada por anticorpos anti-HLA ou anti-granulócitos presentes no plasma do doador, que reagem com os leucócitos do receptor. Essa interação leva à liberação de mediadores inflamatórios, dano endotelial e extravasamento de plasma para o espaço alveolar, resultando em edema pulmonar não cardiogênico. O diagnóstico é clínico e radiológico, e o manejo é de suporte, com ventilação mecânica se necessário. É fundamental que residentes e profissionais de emergência e terapia intensiva estejam aptos a reconhecer rapidamente a TRALI para instituir o suporte adequado. A diferenciação de outras causas de insuficiência respiratória aguda pós-transfusão, como a sobrecarga circulatória (TACO), é crucial para o manejo correto. A prevenção envolve a utilização de plasma de doadores masculinos ou de mulheres nulíparas para reduzir o risco de anticorpos anti-HLA.
Os critérios incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300 ou SpO2 < 90%), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ausência de evidência de lesão pulmonar aguda antes da transfusão e ausência de sobrecarga circulatória.
A TRALI é geralmente causada por anticorpos anti-HLA ou anti-granulócitos no plasma do doador que reagem com os leucócitos do receptor, levando à ativação e sequestro de neutrófilos nos capilares pulmonares e subsequente lesão endotelial e extravasamento de fluido.
TRALI é um edema pulmonar não cardiogênico, sem sinais de sobrecarga volêmica, enquanto TACO é um edema pulmonar cardiogênico com sinais de sobrecarga de volume (elevação de PVC, BNP elevado, melhora com diuréticos).
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