TRALI: Diagnóstico e Manejo da Lesão Pulmonar Pós-Transfusão

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 19 anos, sem passado mórbido, atendido em emergência por fratura pélvica e choque hipovolêmico após acidente com motocicleta. Durante uma cirurgia ortopédica bem-sucedida recebe duas unidades de concentrado de hemácias e ressuscitação volêmica com cristaloides. É encaminhado estável para recuperação, mas após 30 minutos desenvolve quadro de intensa dispneia com hipoxemia, precisando ser entubado e levado a UTI. PA 110/70mmHg, enchimento capilar normal. Rx de tórax revela edema pulmonar bilateral difuso. Assinale o diagnóstico mais provável neste caso.

Alternativas

  1. A) embolia gordurosa.
  2. B) embolia gasosa.
  3. C) tromboembolismo pulmonar.
  4. D) injúria pulmonar relacionada a transfusão (TRALI).
  5. E) sobrecarga circulatória relacionada a transfusão (TACO).

Pérola Clínica

TRALI: dispneia + hipoxemia + edema pulmonar bilateral agudo (até 6h) pós-transfusão, sem sobrecarga volêmica.

Resumo-Chave

A TRALI é uma complicação grave da transfusão, caracterizada por início agudo de hipoxemia e edema pulmonar não cardiogênico, geralmente dentro de 6 horas após a transfusão. O paciente apresenta estabilidade hemodinâmica (sem sinais de sobrecarga volêmica), diferenciando-a de TACO.

Contexto Educacional

A Injúria Pulmonar Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das principais causas de mortalidade associada à transfusão, sendo crucial para residentes e profissionais de saúde reconhecer seus sinais e sintomas. Caracteriza-se por um quadro de dispneia intensa, hipoxemia e edema pulmonar bilateral difuso, que se desenvolve agudamente, geralmente dentro de 6 horas após a transfusão de qualquer componente sanguíneo. A fisiopatologia da TRALI envolve uma reação inflamatória aguda no pulmão, frequentemente mediada por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador, que ativam os neutrófilos do receptor. Essa ativação leva à liberação de citocinas e enzimas que danificam o endotélio capilar pulmonar, resultando em aumento da permeabilidade e extravasamento de fluido para o espaço alveolar, caracterizando um edema pulmonar não cardiogênico. O diagnóstico é clínico e radiológico, e o tratamento é de suporte, incluindo oxigenoterapia e ventilação mecânica se necessário. A diferenciação de outras complicações transfusionais, como a Sobrecarga Circulatória Associada à Transfusão (TACO), é fundamental; na TRALI, o paciente geralmente não apresenta sinais de sobrecarga volêmica. A prevenção inclui o uso de plasma de doadores masculinos ou mulheres nulíparas para reduzir o risco de anticorpos anti-HLA.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para TRALI?

Os critérios incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SpO2 < 90% em ar ambiente), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ausência de evidência de sobrecarga circulatória (TACO) e ocorrência dentro de 6 horas após o término da transfusão.

Qual a fisiopatologia da TRALI?

A TRALI é geralmente causada por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador, que reagem com os leucócitos do receptor, ativando-os e levando à liberação de mediadores inflamatórios. Isso resulta em dano endotelial pulmonar, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico.

Como diferenciar TRALI de TACO?

A TRALI cursa com pressão arterial normal ou baixa, enchimento capilar normal e ausência de sinais de sobrecarga volêmica (ex: turgência jugular, galope). A TACO, por outro lado, apresenta sinais de hipervolemia, como hipertensão, turgência jugular, edema periférico e evidência de disfunção cardíaca.

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