Tracoma: Tratamento Sistêmico com Azitromicina em Dose Única

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Tracoma é uma conjuntivite crônica causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Sendo a principal causa de cegueira evitável no mundo, caracteriza-se por exacerbações progressivas e remissões. Os sintomas iniciais são hiperemia da conjuntiva, edema palpebral, fotofobia e lacrimejamento. Mais tarde, ocorrem neovascularização da córnea e cicatrização de conjuntiva, córnea e pálpebras. O diagnóstico costuma ser clínico, e o tratamento é feito com antibióticos tópicos e sistêmicos. Para o tratamento sistêmico, exceto para crianças com menos de 6 meses de idade e gestantes durante o primeiro trimestre, recomenda-se:

Alternativas

  1. A) Azitromicina – 20 mg/kg (máximo de 1 g), via oral, em dose única.
  2. B) Eritromicina – 20 mg/kg (máximo de 1 g), via oral, em dose única.
  3. C) Azitromicina – 500 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 14 dias.
  4. D) Eritromicina – 500 mg, via oral, três vezes ao dia, por 10 dias.
  5. E) Doxiciclina – 500 mg, via oral, duas vezes ao dia, por 14 dias.

Pérola Clínica

Tracoma sistêmico (exceto <6m/gestantes 1º tri) → Azitromicina 20 mg/kg (máx 1g) VO, dose única.

Resumo-Chave

A azitromicina em dose única oral é o tratamento sistêmico de escolha para o tracoma devido à sua eficácia contra Chlamydia trachomatis e à facilidade de administração, o que melhora a adesão em programas de saúde pública. A dose é ajustada por peso, com um máximo de 1g.

Contexto Educacional

O tracoma, causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, é uma conjuntivite crônica que representa a principal causa infecciosa de cegueira evitável globalmente. A doença progride através de ciclos de infecção e inflamação, levando a cicatrizes na conjuntiva e córnea, que podem resultar em entrópio, triquíase e, eventualmente, opacificação corneana e cegueira. A epidemiologia está fortemente ligada a condições de higiene precárias e acesso limitado à água e saneamento. A fisiopatologia envolve a infecção das células epiteliais da conjuntiva pela Chlamydia trachomatis, desencadeando uma resposta inflamatória crônica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos sinais característicos da doença, como folículos linfoides na conjuntiva tarsal superior (estágio inflamatório) e cicatrizes (estágio cicatricial). A detecção molecular pode ser utilizada em estudos epidemiológicos, mas não é rotina para o diagnóstico individual. O tratamento do tracoma segue a estratégia SAFE (Surgery for trichiasis, Antibiotics for infection, Facial cleanliness, Environmental improvement). Para a infecção ativa, o tratamento sistêmico de escolha é a azitromicina, administrada em dose única oral de 20 mg/kg (máximo de 1 g), devido à sua eficácia e conveniência. Exceções incluem crianças menores de 6 meses e gestantes no primeiro trimestre, para as quais outras opções ou acompanhamento podem ser considerados. O tratamento em massa é crucial para o controle da doença em áreas endêmicas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do tracoma como causa de cegueira?

O tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira evitável no mundo, afetando milhões de pessoas, principalmente em regiões com saneamento precário e acesso limitado à saúde.

Por que a azitromicina é o tratamento de escolha para o tracoma?

A azitromicina é preferida devido à sua alta eficácia contra Chlamydia trachomatis, boa penetração tecidual e, crucialmente, a possibilidade de ser administrada em dose única oral, o que facilita a adesão e o tratamento em massa.

Quais são as exceções para o uso da azitromicina no tratamento do tracoma?

A azitromicina sistêmica em dose única não é recomendada para crianças com menos de 6 meses de idade e gestantes durante o primeiro trimestre, devido a preocupações com segurança e falta de dados suficientes.

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