Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022
Uma colega entra em contato querendo opinião sobre o caso clínico de seu namorado Túlio, de 22 anos o qual tem relato de anemia na família e um irmão falecido aos 12 anos com anemia e complicações pulmonares. Tulio realizou eletroforese de hemoglobina com laudo de Hb A = 58%, Hb S = 40% e recebeu diagnóstico de Hb AS ou traço falciforme. Qual das opções abaixo estaria CORRETA de acordo com as informações da sua colega?
Traço falciforme (Hb AS) = geralmente assintomático, expectativa de vida normal, sem necessidade de acompanhamento hematológico rotineiro.
O traço falciforme (Hb AS) é uma condição heterozigótica que confere proteção contra malária e, na maioria dos casos, não causa sintomas clínicos significativos. Diferente da doença falciforme (Hb SS), não há hemólise crônica ou crises vaso-oclusivas frequentes, o que resulta em uma expectativa de vida normal para o portador.
O traço falciforme (Hb AS) é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela presença de uma cópia do gene da hemoglobina S e uma cópia do gene da hemoglobina A. É uma das condições genéticas mais comuns globalmente, com prevalência variável entre populações, sendo particularmente alta em regiões com histórico de malária devido à vantagem seletiva que confere. É crucial para o residente diferenciar o traço falciforme da doença falciforme (Hb SS), que é a forma homozigótica e clinicamente grave. A fisiopatologia do traço falciforme envolve a produção de hemoglobina S, que pode polimerizar sob condições de hipóxia extrema, acidose ou desidratação, levando à falcização das hemácias. Contudo, a presença concomitante de Hb A em maior quantidade geralmente impede a ocorrência de eventos vaso-oclusivos significativos ou hemólise crônica. O diagnóstico é confirmado pela eletroforese de hemoglobina. A suspeita deve surgir em pacientes com histórico familiar de anemia ou em programas de triagem neonatal. O prognóstico para indivíduos com traço falciforme é excelente, com expectativa de vida normal e ausência de sintomas na maioria dos casos. O manejo consiste principalmente em educação do paciente sobre a condição e aconselhamento genético, especialmente para casais em idade reprodutiva. Não há necessidade de tratamento específico ou acompanhamento hematológico rotineiro, a menos que surjam complicações raras ou em situações de estresse fisiológico extremo.
O diagnóstico do traço falciforme é feito pela eletroforese de hemoglobina, que revela a presença de hemoglobina A (Hb A) em maior proporção e hemoglobina S (Hb S) em proporção significativa (geralmente entre 30-45%), sem a presença de Hb Fetal ou outras hemoglobinas anormais em grandes quantidades.
Em geral, portadores de traço falciforme não necessitam de acompanhamento hematológico regular, pois a condição é benigna e assintomática na maioria dos casos. O aconselhamento genético é importante para casais que planejam ter filhos, especialmente se ambos forem portadores.
Embora raro, o traço falciforme pode estar associado a algumas complicações em condições extremas, como rabdomiólise em exercícios extenuantes, hematúria indolor (nefropatia falciforme) e, em altitudes elevadas, infarto esplênico. No entanto, estas são exceções e não a regra.
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