CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Qual dos pacientes abaixo melhor se beneficiaria do tratamento com trabeculoplastia seletiva a laser (SLT)?
SLT = Opção de 1ª linha para Glaucoma de Ângulo Aberto ou Hipertensão Ocular inicial.
A SLT atua nas células pigmentadas da malha trabecular sem causar dano térmico colateral, sendo ideal para pacientes recém-diagnosticados que desejam evitar colírios ou possuem baixa adesão.
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) revolucionou o manejo do glaucoma de ângulo aberto. Ao contrário da cirurgia invasiva, é um procedimento ambulatorial rápido que visa melhorar a drenagem fisiológica do olho. A seleção do paciente é crucial: o ângulo deve estar aberto e visível à gonioscopia para que o laser possa atingir a malha trabecular. Estudos clínicos robustos mostram que a SLT pode reduzir a pressão intraocular em cerca de 20-30%, eficácia comparável aos análogos de prostaglandina. A principal indicação atual, conforme reforçado por diretrizes internacionais, é o paciente recém-diagnosticado (naïve de tratamento), pois permite um controle pressórico estável sem as flutuações associadas ao uso irregular de colírios. Em casos avançados ou glaucomas secundários complexos (como o neovascular), a SLT perde eficácia, sendo preferidas outras modalidades terapêuticas.
A Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) é um procedimento oftalmológico a laser utilizado para reduzir a pressão intraocular (PIO) em pacientes com glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular. Diferente da trabeculoplastia de argônio (ALT), a SLT utiliza um laser de Nd:YAG de baixa energia com pulsos extremamente curtos. Esse laser atinge seletivamente as células ricas em melanina na malha trabecular, sem causar dano térmico ou estrutural ao tecido circundante. O mecanismo de ação envolve a estimulação de uma resposta biológica e celular (recrutamento de macrófagos) que aumenta a facilidade de escoamento do humor aquoso através da malha trabecular, resultando na queda da PIO.
Historicamente, o tratamento inicial do glaucoma era exclusivamente farmacológico (colírios). No entanto, o estudo LiGHT (Laser in Glaucoma and Ocular Hypertension) demonstrou que a SLT é altamente eficaz, segura e custo-efetiva como terapia inicial. Ela oferece várias vantagens: elimina a dependência de colírios (melhorando a qualidade de vida), evita efeitos colaterais oculares e sistêmicos das medicações e contorna o problema da baixa adesão ao tratamento tópico, que é uma das principais causas de progressão do glaucoma. Além disso, a SLT pode ser repetida se o efeito diminuir ao longo do tempo, pois não causa cicatrizes permanentes no ângulo camerular.
Os pacientes que mais se beneficiam são aqueles com Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) inicial ou Hipertensão Ocular de alto risco que ainda não iniciaram tratamento medicamentoso. Também é uma excelente opção para pacientes que têm dificuldade em instilar colírios (devido a artrite ou tremores), pacientes com intolerância a conservantes ou princípios ativos das drogas hipotensoras, e aqueles com problemas de custo ou acesso contínuo a medicações. Em casos de glaucoma pigmentar, a SLT também é eficaz, mas deve ser realizada com cautela (menor energia) devido à maior absorção do laser pelo excesso de pigmento, o que pode causar picos pressóricos pós-procedimento.
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