CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016
Em relação ao procedimento ilustrado na figura abaixo, assinale a alternativa correta.
Trabeculoplastia → Excesso de energia causa inflamação e formação de sinequias periféricas.
A trabeculoplastia visa aumentar o escoamento do humor aquoso pelo trabeculado. O uso de níveis elevados de energia (especialmente na ALT) causa dano térmico, resultando em sinéquias anteriores periféricas.
A trabeculoplastia a laser (ALT ou SLT) é uma ferramenta fundamental no tratamento do glaucoma, frequentemente utilizada como terapia adjunta ou inicial para reduzir a pressão intraocular (PIO). A técnica envolve a aplicação de disparos de laser no trabeculado, promovendo alterações bioquímicas e estruturais que facilitam a drenagem do humor aquoso. No entanto, a precisão na entrega da energia é crucial. Clinicamente, o residente deve estar atento às complicações pós-operatórias, que incluem picos hipertensivos transitórios, uveíte anterior leve e a formação de sinequias. A escolha entre ALT (Argon Laser Trabeculoplasty) e SLT (Selective Laser Trabeculoplasty) baseia-se no perfil do paciente, sendo a SLT preferida atualmente por causar menos dano térmico estrutural, permitindo retratamentos e reduzindo o risco de complicações cicatriciais como as mencionadas na questão.
Durante o procedimento de trabeculoplastia, especialmente na técnica com laser de argônio (ALT), a aplicação de energia térmica no tecido trabecular visa gerar uma contração cicatricial que abre os espaços adjacentes. No entanto, se a carga de energia for excessiva ou se os disparos forem muito próximos à raiz da íris, ocorre uma resposta inflamatória intensa e dano tecidual que favorece a aposição e adesão da íris ao trabeculado, formando as chamadas sinequias anteriores periféricas (PAS). Isso pode, paradoxalmente, obstruir o ângulo e dificultar ainda mais a drenagem do humor aquoso.
A trabeculoplastia é primariamente indicada para o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), pois o laser precisa atingir diretamente o trabeculado para ser efetivo. No glaucoma de ângulo fechado, o acesso ao trabeculado está mecanicamente impedido pela íris. Embora existam técnicas como a iridoplastia para abrir o ângulo, a trabeculoplastia convencional não é eficaz se as estruturas do ângulo não estiverem visíveis. Portanto, pacientes com ângulo aberto e trabeculado pigmentado costumam ter melhores respostas ao tratamento a laser.
A pigmentação do trabeculado atua como o cromóforo alvo para o laser. Em pacientes com trabeculado muito pigmentado, como na síndrome de dispersão pigmentar ou glaucoma pigmentar, a absorção de energia é maior. Nesses casos, é necessário reduzir a potência do laser para evitar reações inflamatórias exacerbadas e picos de pressão intraocular pós-procedimento. Ao contrário do que se possa pensar, pacientes com pouca pigmentação podem exigir mais energia para obter o mesmo efeito biológico, mas a presença de pigmento geralmente facilita a eficácia do procedimento se bem manejada.
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