Complicações da Trabeculoplastia a Laser no Glaucoma

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

O quadro abaixo indica, mais provavelmente, uma complicação de qual procedimento?

Alternativas

  1. A) Esclerectomia profunda
  2. B) Iridotomia
  3. C) Trabeculoplastia a laser
  4. D) Trabeculectomia

Pérola Clínica

Pico de PIO transitório e uveíte anterior leve → complicações clássicas da Trabeculoplastia a Laser.

Resumo-Chave

A trabeculoplastia a laser (ALT ou SLT) pode causar picos pressóricos agudos e inflamação transitória no segmento anterior devido ao estresse térmico ou mecânico no trabeculado.

Contexto Educacional

A trabeculoplastia a laser é uma ferramenta valiosa no tratamento do glaucoma de ângulo aberto, podendo ser usada como terapia inicial ou adjunta. O mecanismo de ação envolve a remodelação do trabeculado, facilitando o escoamento do humor aquoso. Na ALT, isso ocorre por contração tecidual; na SLT, por uma resposta biológica mediada por citocinas e recrutamento de macrófagos. Embora segura, a técnica exige conhecimento das complicações. O pico de PIO pós-operatório pode ser perigoso em pacientes com glaucoma avançado e escavação total, onde qualquer aumento súbito pode levar à perda definitiva de campo visual central ('wipe-out'). Portanto, a seleção adequada do paciente e o manejo profilático da pressão são pilares do sucesso do procedimento.

Perguntas Frequentes

Quais as complicações mais comuns da trabeculoplastia a laser?

A complicação mais frequente é o aumento transitório da pressão intraocular (PIO), ocorrendo em cerca de 10-20% dos casos, geralmente na primeira hora após o procedimento. Outra complicação comum é a uveíte anterior leve, manifestada por células e flare na câmara anterior. Além disso, podem ocorrer sinéquias anteriores periféricas (especialmente na ALT devido ao dano térmico), hifema (raro) e dor ocular leve. A maioria dessas complicações é autolimitada ou responde bem ao tratamento tópico com anti-inflamatórios e hipotensores.

Qual a diferença entre ALT e SLT em termos de complicações?

A Trabeculoplastia de Argônio (ALT) utiliza um laser térmico que causa cicatrizes e retração do tecido trabecular, o que pode levar à formação de sinéquias anteriores periféricas (SAP) e limita a repetibilidade do procedimento. Já a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT) utiliza um laser de Nd:YAG de pulso curto que atinge apenas as células pigmentadas, preservando a arquitetura do trabeculado. Por ser menos destrutiva, a SLT tem menor incidência de SAP e é considerada um procedimento repetível, embora o risco de pico de PIO e inflamação ainda exista em ambas.

Como prevenir o pico pressórico pós-laser?

A prevenção padrão envolve o uso de agonistas alfa-2 adrenérgicos tópicos, como a apraclonidina 1% ou a brimonidina 0,2%, instilados cerca de 30 a 60 minutos antes do procedimento e/ou imediatamente após. Esses medicamentos reduzem a produção de humor aquoso e ajudam a mitigar o pico hipertensivo agudo. O monitoramento da PIO entre 30 a 60 minutos após o laser é essencial para identificar pacientes que necessitem de terapia hipotensora adicional de emergência.

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