CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Em qual dos pacientes abaixo a trabeculoplastia com laser de argônio é geralmente menos efetiva?
ALT é ineficaz na Síndrome ICE devido à membrana endotelial que recobre o trabeculado.
A trabeculoplastia a laser (ALT) depende da integridade funcional do trabeculado; na Síndrome ICE, uma membrana celular obstrui o ângulo, tornando o laser ineficaz.
A trabeculoplastia com laser de argônio (ALT) foi por muito tempo o padrão-ouro do tratamento a laser para glaucoma de ângulo aberto, embora venha sendo substituída pela Trabeculoplastia Seletiva (SLT) por ser menos destrutiva. A seleção do paciente é o fator determinante para o sucesso: o ângulo deve estar aberto e a malha trabecular deve ser visível e acessível ao laser. Na Síndrome ICE, que engloba a Atrofia Progressiva de Íris, Síndrome de Chandler e Síndrome de Cogan-Reese, o glaucoma é frequentemente severo e de difícil controle. Como a patogênese envolve uma membrana celular 'rastejando' sobre o ângulo, o tratamento cirúrgico (como trabeculectomia ou dispositivos de drenagem) é geralmente necessário, pois as terapias que visam aumentar o escoamento trabecular (como colinérgicos ou laser) falham pela obstrução mecânica da via.
A Síndrome Irido-Córneo-Endotelial (ICE) caracteriza-se pela proliferação de uma membrana endotelial anormal que migra da córnea para o ângulo da câmara anterior e superfície da íris. Essa membrana recobre fisicamente a malha trabecular e se contrai, levando à formação de sinéquias anteriores periféricas (SAPs) e fechamento angular secundário. Como o laser de argônio atua remodelando o trabeculado exposto, a presença dessa membrana impede o sucesso do procedimento.
A ALT (e também a SLT - Trabeculoplastia Seletiva) funciona melhor em glaucomas onde há maior pigmentação do trabeculado, pois o pigmento absorve a energia do laser. Portanto, pacientes com Glaucoma Pigmentar e Glaucoma Pseudoesfoliativo costumam ter respostas excelentes e reduções pressóricas significativas, muitas vezes superiores às observadas no glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA).
O mecanismo exato ainda é debatido, mas as duas teorias principais são: 1) Teoria Mecânica: as queimaduras térmicas no trabeculado causam retração cicatricial do tecido, 'esticando' a malha trabecular adjacente e abrindo os espaços intertrabeculares; 2) Teoria Biológica: o laser induz a liberação de citocinas e o recrutamento de macrófagos que promovem a remodelação da matriz extracelular do trabeculado, facilitando o escoamento do humor aquoso.
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