Trabeculectomia no Nanoftalmo: Riscos e Complicações

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Na trabeculectomia de um paciente com nanoftalmo, qual das complicações abaixo pode ocorrer de maneira mais frequente (comparando-se-a com trabeculectomia de um paciente com glaucoma primário de ângulo aberto)?

Alternativas

  1. A) Efusão de coroide
  2. B) Encistamento da ampola filtrante
  3. C) Hiperfiltração
  4. D) Endoftalmite

Pérola Clínica

Nanoftalmo + Cirurgia Intraocular → ↑Risco de Efusão de Coroide e Glaucoma Maligno.

Resumo-Chave

O nanoftalmo caracteriza-se por uma esclera espessa que dificulta a drenagem venosa vorticosa, predispondo a efusões uveais massivas quando ocorre hipotonia súbita durante a trabeculectomia.

Contexto Educacional

O nanoftalmo representa um desafio cirúrgico extremo devido às alterações anatômicas estruturais. Além da esclera espessa, esses olhos possuem cristalinos proporcionalmente grandes para o volume ocular, o que estreita o ângulo e aumenta o risco de glaucoma de ângulo fechado. A trabeculectomia nesses casos tem uma taxa de complicação significativamente maior que no glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA). A efusão de coroide é a marca registrada, mas o risco de glaucoma maligno e descolamento de retina exsudativo também é elevado. O manejo exige planejamento cuidadoso, muitas vezes envolvendo iridoplastia ou lensectomia precoce para estabilizar a anatomia do segmento anterior.

Perguntas Frequentes

Por que o nanoftalmo predispõe à efusão de coroide?

O nanoftalmo é definido por um comprimento axial curto (geralmente <20mm) associado a uma esclera anormalmente espessa e densa. Essa espessura escleral comprime as veias vorticosas, prejudicando o fluxo de saída venoso da coroide. Quando a câmara anterior é aberta durante uma trabeculectomia e a pressão intraocular cai bruscamente, o gradiente de pressão favorece a transudação de fluido para o espaço supracoroidiano, resultando em efusão serosa ou hemorrágica, que pode ser devastadora.

Quais medidas profiláticas podem ser tomadas no nanoftalmo?

A estratégia cirúrgica no nanoftalmo deve focar na prevenção da hipotonia e no manejo da esclera. Muitos cirurgiões realizam esclerotomias posteriores profiláticas (em dois ou quatro quadrantes) antes de entrar na câmara anterior para permitir a drenagem de qualquer fluido supracoroidiano que se forme. Além disso, o uso de viscoelásticos pesados para manter a câmara anterior formada e suturas de flap mais apertadas são condutas recomendadas para evitar a descompressão súbita.

Como diferenciar efusão de coroide de glaucoma maligno no pós-operatório?

Ambas as condições apresentam câmara anterior rasa no pós-operatório de trabeculectomia. No entanto, na efusão de coroide, a pressão intraocular (PIO) costuma estar baixa (hipotonia) e é possível visualizar os descolamentos coroidais ao exame de fundo de olho ou ultrassonografia. No glaucoma maligno (desvio de fluxo aquoso), a PIO está elevada e não há descolamento de coroide visível, sendo o mecanismo fisiopatológico o aprisionamento de humor aquário no vítreo, empurrando o diafragma íris-cristalino para frente.

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