CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Sobre um paciente com glaucoma controlado que foi tratado cirurgicamente com trabeculectomia e que desenvolve catarata, podemos afirmar que:
Faco < 6 meses pós-TREC → ↑ risco de falência da bolha por inflamação e cicatrização.
A cirurgia de catarata realizada precocemente após uma trabeculectomia aumenta significativamente o risco de falência da fístula devido à resposta inflamatória ocular.
O manejo de pacientes com glaucoma e catarata exige planejamento cuidadoso. Quando a trabeculectomia é realizada isoladamente, a subsequente cirurgia de catarata torna-se um desafio, pois a manipulação cirúrgica e a inflamação podem 'acordar' a resposta cicatricial na conjuntiva. A facoemulsificação é preferível à facectomia extracapsular por ser menos invasiva e gerar menos inflamação, mas o tempo de espera é o fator determinante para o sucesso a longo prazo do controle pressórico.
A facoemulsificação induz uma liberação de mediadores inflamatórios e citocinas no humor aquoso. Esses mediadores podem estimular a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno no sítio da trabeculectomia, levando à fibrose da bolha filtrante e consequente perda do controle da pressão intraocular (PIO).
Estudos sugerem que realizar a cirurgia de catarata com menos de 6 meses após a trabeculectomia está associado a um maior risco de falência da bolha. Aguardar a estabilização completa da fístula e a redução da inflamação pós-operatória da TREC é fundamental para preservar a função filtrante.
Não há evidência robusta que suporte o uso de Mitomicina C (MMC) intracameral durante a facoemulsificação para proteger a bolha filtrante. A MMC é tipicamente usada subconjuntivalmente durante a própria trabeculectomia para inibir a fibrose cicatricial.
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