Fatores de Risco para Falência de Trabeculectomia

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Paciente no vigésimo dia pós-operatório de trabeculectomia apresenta pressão intraocular de 27mmHg e o seguinte aspecto. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A conduta mais indicada é a lise de sutura.
  2. B) Uso prolongado de medicações hipotensoras no período pré-operatório é um fator de risco.
  3. C) Esta condição é característica e transitória no pós-operatório, não sendo necessária conduta clínica, ou cirúrgica.
  4. D) Trabeculoplastia pré-operatória pode prevenir o surgimento.

Pérola Clínica

Uso crônico de colírios hipotensores → ↑ Inflamação conjuntival → ↑ Risco de falência da trabeculectomia.

Resumo-Chave

A exposição prolongada a conservantes (como o cloreto de benzalcônio) e fármacos antiglaucomatosos induz uma inflamação subclínica na conjuntiva, favorecendo a fibrose e o insucesso da cirurgia filtrante.

Contexto Educacional

A trabeculectomia continua sendo o padrão-ouro cirúrgico para o glaucoma, mas sua eficácia é limitada pela resposta cicatricial do hospedeiro. Pacientes que utilizaram medicações tópicas por muitos anos apresentam taxas de sucesso menores em comparação com aqueles operados precocemente. O entendimento da biologia da cicatrização conjuntival é fundamental para o manejo do glaucoma, justificando muitas vezes a 'lavagem' da superfície ocular com corticoides ou a suspensão de colírios antes do procedimento cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Por que o uso de colírios pré-operatórios prejudica a trabeculectomia?

O uso crônico de múltiplas medicações hipotensoras, especialmente aquelas que contêm o conservante cloreto de benzalcônio (BAK), causa uma inflamação crônica subclínica na conjuntiva e na cápsula de Tenon. Isso resulta em um aumento da densidade de células inflamatórias (macrófagos, linfócitos) e fibroblastos no tecido. Como o sucesso da trabeculectomia depende da criação de uma fístula que drene o humor aquoso para o espaço subconjuntival sem cicatrização excessiva, uma conjuntiva previamente 'ativada' tem maior tendência a formar fibrose, bloqueando a drenagem e elevando a pressão intraocular (PIO).

O que caracteriza uma falência de bolha no pós-operatório?

A falência da bolha filtrante manifesta-se clinicamente pelo aumento da PIO (como os 27mmHg citados) e por alterações morfológicas na bolha. Ela pode se tornar plana (devido à fibrose no sítio escleral), vascularizada ou encistada (Cisto de Tenon). O Cisto de Tenon é uma bolha localizada, tensa e elevada, com paredes espessas, que geralmente aparece nas primeiras semanas após a cirurgia e impede a filtração efetiva do humor aquoso.

Como prevenir ou tratar a falência da bolha filtrante?

A prevenção envolve o uso intraoperatório de antimetabólitos, como a Mitomicina C ou 5-Fluorouracil, que inibem a proliferação de fibroblastos. No pós-operatório imediato, o uso agressivo de corticoides tópicos é essencial para controlar a inflamação. Se a PIO subir, condutas como a massagem ocular (manobra de Digital Pressure), lise de suturas (laser ou manual) ou agulhamento (needling) da bolha com injeção de antimetabólitos podem ser necessárias para restabelecer o fluxo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo