Trabeculectomia: Técnica Cirúrgica e Manejo de Complicações

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Sobre a trabeculectomia, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A confecção de um retalho escleral muito fino aumenta as chances de hiperfiltração.
  2. B) O objetivo principal da iridectomia periférica é prevenir o bloqueio ciliar no pós-operatório.
  3. C) O uso de mitomicina intraoperatória aumenta a chance de vazamento precoce e diminui o risco de endoftalmite tardia.
  4. D) O uso de uma gota de pilocarpina ao final da cirurgia reduz a chance de bloqueio ciliar.

Pérola Clínica

Retalho escleral fino na TREC → ↑ risco de hiperfiltração e hipotonia ocular persistente.

Resumo-Chave

A espessura do retalho escleral é o principal determinante da resistência ao fluxo do humor aquoso na trabeculectomia; retalhos excessivamente finos não oferecem barreira mecânica adequada.

Contexto Educacional

A trabeculectomia (TREC) permanece como o padrão-ouro cirúrgico para o tratamento do glaucoma não controlado clinicamente. O sucesso do procedimento depende do equilíbrio delicado entre a drenagem do humor aquoso e a resistência tecidual. A técnica exige precisão na confecção do retalho escleral (flap), que deve ter aproximadamente metade da espessura escleral para permitir uma filtração controlada. Complicações como a hipotonia ocular precoce são frequentemente relacionadas a falhas técnicas no flap ou suturas frouxas, enquanto a falha tardia costuma estar ligada ao processo cicatricial excessivo. O uso de moduladores da cicatrização, como a Mitomicina C e o 5-Fluorouracil, revolucionou o prognóstico da TREC, mas exige vigilância constante devido ao risco aumentado de complicações infecciosas e estruturais na bolha filtrante ao longo dos anos.

Perguntas Frequentes

Por que o retalho escleral fino é perigoso na TREC?

O retalho escleral atua como uma válvula que regula a saída do humor aquoso do espaço subescleral para o espaço subconjuntival. Se o retalho for confeccionado de forma muito fina, ele perde sua integridade estrutural e capacidade de resistência, resultando em hiperfiltração. Isso pode levar à hipotonia ocular profunda, descolamento de coroide e maculopatia hipotônica, comprometendo o resultado visual do paciente.

Qual a função da iridectomia periférica na trabeculectomia?

A iridectomia periférica é realizada durante a trabeculectomia para prevenir que a íris periférica bloqueie a abertura interna (esclerostomia) da cirurgia. Ao criar uma comunicação direta entre a câmara posterior e a câmara anterior, evita-se o bloqueio pupilar e garante-se que o humor aquoso tenha livre acesso ao sítio cirúrgico, mantendo a fístula funcional.

Como a Mitomicina C influencia o pós-operatório tardio?

A Mitomicina C é um antimetabólico potente que inibe a proliferação de fibroblastos e a cicatrização. Embora aumente a taxa de sucesso da cirurgia ao manter a bolha filtrante funcionante, ela resulta em bolhas mais finas, isquêmicas e avasculares. Essas características aumentam significativamente o risco de vazamentos (Seidel positivo) e de endoftalmite tardia por facilitar a entrada de patógenos.

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